Tóquio-2020

Sem turistas, Olimpíadas de Tóquio perderão mais de US$ 1 bilhão

por Erich Beting
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Turistas tiram foto em instalação com o símbolo dos aros olímpicos, em Tóquio
Getty Images
Turistas tiram foto em instalação com o símbolo dos aros olímpicos, em Tóquio
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O governo japonês anunciou na manhã de sábado (20) que não será permitida a entrada de turistas estrangeiros nos Jogos Olímpicos de Tóquio, previstos para acontecerem entre 23 de julho e 8 de agosto próximos. A decisão foi acatada pelos comitês olímpico e paralímpico internacionais, que aceitaram as exigências dos japoneses para não ter o risco de cancelar as Olimpíadas por conta da pandemia.

"A fim de esclarecer a situação para aqueles que compraram ingressos e que moram no exterior e permitir que possam ajustar seus planos de viagem neste momento, as partes do lado japonês concluíram que essas pessoas não poderão entrar no Japão durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos", disseram os organizadores num comunicado.

A decisão tomada tem um severo impacto nas receitas dos Jogos Olímpicos. A expectativa era de que os 600 mil turistas estrangeiros que comparecessem a Tóquio para as Olimpíadas injetassem cerca de US$ 1 bilhão na economia do Japão durante as duas semanas do evento. O turista estrangeiro era responsável por cerca de 12% de toda a receita prevista com as Olimpíadas. Apenas com a venda de ingressos para os eventos, a expectativa é de que a organização arrecadasse US$ 800 milhões.

Além disso, está prevista uma queda brusca de receita com viagens corporativas promovidas pelos patrocinadores dos Jogos, que terão de concentrar todos os seus esforços apenas para o público local, o que reduz significativamente a geração de receitas com o evento.

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A perda dos turistas deverá ter impacto também de médio prazo na economia japonesa, já que as Olimpíadas seriam utilizadas para dar um salto de promoção do Japão para o turismo. Em 2019, o país teve seu melhor ano no turismo, recebendo quase 32 milhões de pessoas. A expectativa era de que, em 2020, houvesse o maior afluxo de turistas da história de Tóquio e, nos anos seguintes, a média se mantivesse alta.

Em abril, o comitê organizador dos Jogos divulgará como deverá ser a taxa de ocupação dos eventos, mas, além de ficar restrita aos japoneses, a Olimpíada não terá capacidade máxima nas arenas.

A decisão tomada pelo governo japonês já vinha sendo ensaiada nas últimas semanas, tanto que, em vários países, já havia uma definição de como se daria o reembolso aos compradores de ingressos e pacotes aéreos para os Jogos. No Brasil, as duas operadoras de turismo licenciadas da Match, agência oficial do COB para a venda de ingressos, já divulgaram em seus sites que reembolsarão os compradores, mas ainda será definido como isso acontecerá. A carga de bilhetes para serem vendidos no país era de 20 mil ingressos. Em janeiro de 2020, antes da pandemia, vôlei, atletismo, judô e basquete eram os eventos de maior demanda pelo público brasileiro.

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