Tóquio 2020

EXCLUSIVO: Globo tenta ‘desencalhar’ cotas de patrocínio das Olimpíadas

por Erich Beting
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Nesta semana, o Grupo Globo reuniu agências, anunciantes e alguns veículos de imprensa para participarem de um evento virtual de apresentação da cobertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio e das oportunidades comerciais envolvidas nele. No evento, Marcio Parizotto, CMO do Bradesco, foi um dos convidados de honra. O executivo falou sobre os motivos que levaram a empresa a patrocinar o projeto olímpico da Globo e, ainda, do histórico de envolvimento do banco com o esporte.

A escolha de Parizotto não foi só pelo status que ele tem no mercado, comandando o marketing de uma das maiores empresas do Brasil e um dos maiores anunciantes do mercado. O Bradesco, até agora, é a única empresa que confirmou ter comprado uma das cotas disponíveis de patrocínio da cobertura olímpica da Globo.

No plano comercial entregue após o evento, a Globo disponibiliza ainda cinco cotas para a TV aberta (uma com entrega ‘ouro’, duas com a entrega ‘prata’ e duas ‘bronze’), seis cotas para a TV fechada (uma ouro, duas prata e três bronze) e dez para o ge, que vende o pacote junto com a TV aberta e a TV fechada.

A última vez que houve tantas cotas disponíveis para uma transmissão de megaevento na Globo havia sido na Copa do Mundo de 2002, que foi disputada na Coreia do Sul e no Japão em meio a uma crise econômica no Brasil e com muita incerteza de engajamento do público, já que a seleção brasileira embarcou desacreditada para o Mundial em que acabou pentacampeã.

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Thomas Bach, presidente do COI, durante apresentação comercial da Globo para as Olimpíadas de Tóquio
Reprodução
Thomas Bach, presidente do COI, durante apresentação comercial da Globo para as Olimpíadas de Tóquio
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“Estamos a três meses dos Jogos, e já estamos no aquecimento aqui na Globo, no Sportv, no GE, no Globoplay e, conforme os Jogos forem se aproximando, vamos gerar mais conteúdo e mais engajamento do público. Quero muito que as marcas e nossos parceiros de negócios, as agências de publicidade, contem conosco para que possam se juntar a todo esse conteúdo fazendo com que o propósito e os valores de cada anunciante sejam realmente potencializados. Aproveito para agradecer os anunciantes que já estão com a gente”, disse Manzar Feres, diretora de negócios integrados em publicidade da Globo.

No ano passado, o Bradesco e a operadora Claro haviam fechado acordo para anunciar durante os Jogos, num pacote com valor de tabela de R$ 96 milhões. O adiamento das Olimpíadas para 2021, porém, exigiu a renegociação com as duas empresas, que foram “compensadas” dentro da entrega de 2020. Para este ano, apenas o Bradesco manteve o pacote. Questionada pela reportagem da Máquina do Esporte sobre quantas marcas já haviam fechado para a transmissão, a Globo informou que “no momento estamos em negociação das cotas”. Segundo a emissora, os parceiros serão revelados “no momento oportuno”.

Para convencer novas marcas a patrocinarem as Olimpíadas, além de Parizotto, a emissora recorreu ao presidente do COI, Thomas Bach, para falar sobre a importância da Globo dentro do Movimento Olímpico e da entidade. O dirigente exaltou a parceria com a emissora, uma das que mais investiu na compra de direitos de transmissão dos Jogos.

“Queridos amigos olímpicos, por causa da pandemia e do momento sem precedentes que temos vivido, estamos todos com muitas incertezas. E nesses tempos difíceis, nós precisamos dos valores olímpicos de excelência, respeito e solidariedade, mais do que nunca. É por isso que eu gostaria de dizer muito obrigado ao Grupo Globo pelo seu apoio inestimável ao COI, aos Jogos Olímpicos e aos valores olímpicos. A confiança que nossos parceiros comerciais, como a Globo, depositaram no COI, nos dá força para seguir em nossa missão de fazer o mundo um lugar melhor através do esporte”, disse Bach.

Apesar da força dos convidados para o evento, que ainda teve um bate-papo com Galvão Bueno e a apresentação do plano de cobertura editorial dos Jogos, a Globo tenta achar, no mercado, quem ajude a pagar a conta. Por causa da pandemia, a emissora reduzirá o investimento que fará com viagens de seus profissionais. Apenas repórteres estarão no Japão, enquanto um mega-estúdio será montado na sede da emissora, no Rio de Janeiro, para ser o centro das transmissões.

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