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Pandemia e política esvaziam comerciais do Super Bowl nos EUA

por Redação
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Os intervalos comerciais do Super Bowl, nos Estados Unidos, são uma atração à parte na transmissão do jogo que encerra a temporada da NFL. Com audiência mais alta do maior mercado do mundo, com mais de 100 milhões de pessoas em frente à TV, o horário é reservado a superproduções de marcas que buscam destaque por 30 segundos. Mas, em 2021, o cenário deve ser diferente.

Com economia fragilizada por conta da pandemia do Covid-19 e com um momento político conturbado nos Estados Unidos, as marcas deverão recuar as estratégias para o Super Bowl. O período de 30 segundos na transmissão da CBS, emissora que exibirá o evento no país, teve queda de US$ 5,6 milhões para US$ 5,5 milhões em relação à exibição da Fox em 2020. Pouco para sustentar as marcas.

O maior exemplo de como as empresas têm visto o evento com maior receio está na Budweiser, que não fará publicidade no Super Bowl pela primeira vez em 37 anos. Em 2021, a marca optou por doar o valor que seria pago na publicidade a campanhas públicas de vacinação contra o Covid-19.

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GM aposta em vídeo com Will Ferrell; humor deverá ser a solução para as marcas no Super Bowl (Foto: Reprodução)
GM aposta em vídeo com Will Ferrell; humor deverá ser a solução para as marcas no Super Bowl (Foto: Reprodução)
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Outras marcas da AB InBev, como a Bud Light, estarão no Super Bowl, em uma demonstração que o evento permanece atrativo para as grandes companhias. Mas, em momento de crise, algumas marcas preferiram se manter mais discretas ou se associar a algo diferente.

A Budweiser não foi a única que trilhou esse caminho. “Essa difícil escolha foi feita para garantir que estamos investindo nos recursos certos durante esses tempos sem precedentes”, afirmou a Coca-Cola, que também não estará no Super Bowl deste ano.

A marca de refrigerante apostava na decisão da NFL desde 2006, sem interrupções. A Hyundai teve propagandas em 12 dos últimos 13 anos, e também resolveu ficar fora. Assim como a Ford, Little Caesars, entre outras.

O momento de apreensão das marcas, claro, dificultou a venda. Segundo o jornal “NY Post”, até o início de janeiro, a CBS não tinha vendido todas as cotas de publicidade para o Super Bowl. Em comparação, para o evento de 2020, a Fox comercializou todos os espaços antes do feriado de Ação de Graças, celebrado no fim de novembro.

Segundo a publicação de Nova York, o mercado tem tido receio de como a mensagem poderá ser recebida. Primeiro pelo momento conturbado do Covid-19 no país, que chegou a ter mais de 4 mil mortes por dia pela doença. Outra questão sensível é a divisão política enfrentada pelos americanos, que tiveram uma eleição marcada por acusações de fraude e até mesmo invasão ao Congresso.

O exemplo dado foi para as críticas recebidas em anos anteriores para a Gillette e para a Pepsi, que apostaram em um tom mais politizado no discurso. Este ano, com os ânimos mais acentuados, essa se tornou uma opção mais arriscada.

A CBS afirmou, na última semana, que as cotas para o Super Bowl estavam “virtualmente esgotadas”. A solução para o mercado deverá ser o uso do bom humor, fórmula que dificilmente é mal recebida no evento. GM, com o comediante Will Ferrell, e Amazon, com o ator Michael B. Jordan na interpretação de um Alexa sensual, já deram amostras de como serão os intervalos comerciais do jogo.

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