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Maior campeão da NFL, Tom Brady vive situação única nas finanças

por Erich Beting
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Com a conquista do Super Bowl logo em sua primeira temporada no novo clube, o jogador engordará em mais US$ 4,5 milhões a conta bancária
Crédito: Reprodução
Com a conquista do Super Bowl logo em sua primeira temporada no novo clube, o jogador engordará em mais US$ 4,5 milhões a conta bancária
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No último domingo, o quarter back Tom Brady, do Tampa Bay Buccaneers, se transformou no maior vencedor do futebol americano. Pela sétima vez, Brady liderou um time para a conquista do Super Bowl. Nenhuma franquia conseguiu passar, até hoje, de seis títulos da NFL. O feito reforçou ainda mais a lenda que é Tom Brady, que bateu outro recorde na carreira na vitória por 31 a 9 sobre o Kansas. Pela primeira vez, ele entrou em campo como o jogador mais bem pago da final.

Maior vencedor do futebol americano e apontado como o maior atleta desse esporte, Brady está longe de ser o mais bem pago da modalidade. Segundo a lista da revista Forbes, em 2020 ele somou US$ 45 milhões entre salários e patrocínios. É apenas o 21° atleta mais bem pago do mundo. E somente o quarto no futebol americano. Mas por que isso acontece?

Brady não é único apenas dentro de campo. Fora dele, o jogador tem um estilo só dele de negociar contratos. Sejam os de trabalho em seus clubes, sejam os de patrocínio.

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Como a NFL estabelece um teto de gastos com salário aos times, o QB sempre preferiu fazer contratos com um valor fixo baixo e um variável maior com o New England Patriots, onde jogou por 21 anos. Com isso, a franquia conseguia ter mais verba para investir em salários, permitindo que os times montados tivessem mais jogadores de qualidade. Não à toa, os seis títulos do Patriots na NFL foram conquistados durante a Era Tom Brady.

Isso não quer dizer que o jogador não ganhasse bastante dinheiro. Apesar de seus salários nunca passarem de US$ 8 milhões por temporada, Tom Brady quase sempre somou bastante dinheiro com bônus polpudos na assinatura do acordo ou com o estabelecimento de bônus por performance, que fazia com que ele faturasse até o dobro disso se também ganhasse o Super Bowl.

“Se tivéssemos que pagar a ele dinheiro de um quarterback de elite e ter números de capitalização de quarterback de elite, eu simplesmente não acho que seríamos capazes de formar uma equipe. Não queremos ter uma equipe onde pagamos de 18 a 20 por cento a um jogador no limite. Eu queria fazer algo elegante que funcionasse para todos”, disse em 2019 Robert Kraft, diretor executivo do New England Patriots, ao conseguir uma renovação por um ano do acordo com Brady em que ele ganhou “apenas” US$ 1,750 milhão de contrato, mas teve luvas de US$ 20,250 milhões pela assinatura.

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Em 2020, porém, Tom Brady não realizou o sonho de Kraft, de seguir jogando e encerrar a carreira nos Patriots. O jogador decidiu ganhar um pouco mais de dinheiro na Flórida, passando a defender o Tampa Bay Buccaneers. Por dois anos de contrato, o seu novo clube paga US$ 50 milhões. Fixos, Brady recebe US$ 25 mi, incomparavelmente o maior salário que já teve, mas assim mesmo apenas o 15° de toda a NFL.

Com a conquista do Super Bowl logo em sua primeira temporada no novo clube, o jogador engordará em mais US$ 4,5 milhões a conta bancária, conseguindo chegar a quase US$ 260 milhões de faturamento com salários e bonificações em 22 anos de carreira na NFL, o maior entre todos os jogadores que atuaram na liga. Não fosse a longevidade nos campos, porém, dificilmente essa marca teria sido alcançada.

É fora dos gramados, porém, que Tom Brady mostra o tamanho de sua marca. Esporte que tem baixa penetração de mercado para além dos EUA, quando comparado com o tênis, futebol e o basquete, o futebol americano costuma ter seus atletas distantes do topo da lista de mais bem pagos do esporte, principalmente porque raramente eles são contratados como garoto-propaganda de marcas.

Segundo o levantamento da revista Forbes, Brady faturou US$ 12 milhões em patrocínios no ano de 2020. É bem menos que os US$ 100 milhões de Roger Federer, US$ 45 mi de Cristiano Ronaldo e US$ 60 mi de LeBron James. Mas, dentro do futebol americano, o QB lidera com folga a lista de maiores faturamentos com publicidade.

Até mesmo nesse campo, Brady acaba adotando uma postura diferente. Ele não é só um garoto-propaganda das marcas, mas parceiro comercial delas. É assim com a Under Armour, que surpreendeu ao anunciar um acordo com ele em 2010. Para conseguir o negócio, a empresa cedeu um lote de ações para o jogador, que embolsou uma bela grana nos últimos anos com a divisão de lucros da marca. Modelo similar de negócio é adotado com a empresa de jatos privados Wheels Up. Brady anuncia os modelos e fatura com as vendas. Já com a marca de relógios de luxo IWC Schaffhausen, cujo negócio começou em 2019, Tom Brady é a aposta da empresa para entrar no mercado americano.

A veia empreendedora do quarter back se estende para a marca TB12 Sports. Além de vender livros em que ensina um método para “viver em alta performance”, a empresa comercializa produtos de nutrição e itens para a prática de atividade física.

Dono de todos os recordes dentro de campo na NFL, Tom Brady não consegue ser o jogador mais bem pago da liga de futebol americano. Mas, sem dúvidas, é o maior empreendedor que existe nos campos.

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