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Escolha de CEO da CBV reforça presença feminina no esporte

por Redação
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A gestão do esporte brasileiro foi, historicamente, dominada por homens. Independente da modalidade ou do peso que atletas mulheres tiveram para o segmento, dirigentes sempre tiveram pouca abertura para a diversidade. Na quarta-feira (3), no entanto, a CBV apresentou a nova CEO e, junto com movimentos mais recentes, deixou claro que esse é um cenário que deverá ter mudanças.

Adriana Behar, ex-gerente-geral de planejamento esportivo do Comitê Olímpico do Brasil (COB), foi anunciada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) como a nova CEO. Atleta vencedora de medalha de prata em Sydney e Atenas, a agora executiva assume o lugar de Radamés Lattari.

A CBV se tornou, então, a segunda confederação esportiva do Brasil a anunciar uma executiva-chefe mulher nos últimos dois meses.

Antes de Behar, foi a vez da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu) anunciar Mariana Miné para o mais alto cargo da gestão profissional da entidade. Com carreira mais voltada ao mundo corporativo e com passagens por empresas como Ambev e Unilever, Miné chegou ao esporte com a função de contornar as polêmicas de seu antecessor. Antes dela, Eric Romano havia deixado o posto após a divulgação de frases machistas do dirigente.

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Adriana Behar, ainda no COB: mulheres têm ganhado espaço na gestão do esporte (Foto: COB)
Adriana Behar, ainda no COB: mulheres têm ganhado espaço na gestão do esporte (Foto: COB)
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Até no futebol feminino, modalidade que seria mais óbvia para a presença de mulheres, o cenário mudou nos últimos meses. Apenas em setembro do último ano que a gestão da modalidade passou de fato para mão feminina dentro da CBF. A entidade apresentou Aline Pellegrino e Duda Luizelli para as coordenações das seleções da confederação.

As seleções femininas costumavam ser coordenadas por homens na CBF. Antes de Luizelli, o cargo era ocupado por Marco Aurélio Cunha. Até mesmo no posto de treinadores, mulheres eram exceções. Mais do que um equilíbrio de gênero, o presidente da confederação, Rogério Caboclo, passou a apostar em mulheres para chegar a um modelo mais bem sucedido.

No futebol profissional, no entanto, as mulheres ainda são absolutamente minorias. Recentemente, a pesquisadora Monique Torga, pela Universidade Federal de Juiz de Fora, resolveu fazer um mapeamento sobre a atuação de mulheres em cargo de diretoria e gestão da modalidade, como revelou o blog “Esporte Executivo”, da “Exame”. Entre os 60 clubes das Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro, elas não chegam a 2% dos cargos de gestão.

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