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Opinião: Diálogo não é costume em gestão pública

por Duda Lopes
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Como a Máquina do Esporte mostrou nesta semana, o Governo e a Prefeitura de São Paulo têm tido dificuldades para tocar projetos de concessão e privatização de complexos esportivos da capital paulista. As medidas mostram o pouco interesse do Estado no Esporte, e, além disso, revela a incapacidade de diálogo com a população e as partes interessadas em uma grande obra.

Ainda que a gestão do PSDB na cidade e no município já tenha dado outras demonstrações de autoritarismo, a ideia de que o poder executivo eleito tem plenos poderes, para além da opinião pública, é algo absolutamente corriqueiro na política nacional, independente da região, do partido ou do espectro político dos governantes.

Isso funciona em qualquer área, mas, quando se trata do esporte, existe um maior interesse natural das pessoas, e o assunto ganha mais atenção da mídia. E, então, esse modo de governar fica mais explícito.

Essa incapacidade de criar modos de diálogo com a população gera ruído sistematicamente. O caso do Ibirapuera é emblemático: se houve movimento de atletas contra a concessão, obviamente eles não foram ouvidos. Talvez, se os maiores interessados no complexo fossem envolvidos, haveria um meio termo, um acordo ou pelo menos um processo de convencimento. Não houve, e tudo parou na Justiça.

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Projeto transforma Ginásio do Ibirapuera em shopping (Foto: Divulgação)
Projeto transforma Ginásio do Ibirapuera em shopping (Foto: Divulgação)
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Claro que a falta de diálogo não é proveniente apenas da incapacidade política dos atuais governantes; há um vasto histórico no Brasil de privatizações em que a ponta final, a população, foi prejudicada. Raramente há o interesse no debate público.

Mas esse movimento, além de atrasar os planos que elegeram o Governador e o Prefeito de São Paulo, às vezes encontra barreira até em quem não tem razão. A associação de moradores do Pacaembu, por exemplo, tem alguns casos em que a atitude mais prejudicou a sustentabilidade do velho estádio do que o ajudou a ser útil na comunidade.

Parece que isso se repete. Somente quem nunca pisou no Tobogã lotado pode defender a manutenção da arquibancada. Uma aberração com sérios problemas de escape de torcedores que não fazia parte do projeto original. Qual é a vantagem de mantê-la?

Não é pecado querer que as estruturas esportivas da cidade sejam mais sustentáveis, mas é criminoso forçar a venda das poucas áreas de lazer da cidade para a iniciativa privada transformar em mais complexos comerciais. É preciso achar um meio termo em que os maiores vencedores são os cidadãos da cidade. Para isso, é melhor começar a conversar com a maioria.

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