Opinião

Vasco mostra futebol hostil

por Duda Lopes
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De maneira geral, a imagem da gestão do futebol frente ao mercado é muito ruim. Pelo menos, essa é a impressão ao ter contato direto com patrocinadores e com grandes empresas do país. E é algo que pode ser facilmente confirmado ao se perceber a resistência das marcas em investir no segmento. Por mais que a administração de clubes tenha dado saltos enormes, o Vasco mostrou que será difícil apresentar algo diferente.

Basta um exercício simples de imaginação. A pessoa quer uma plataforma de comunicação com o esporte e escolhe o time que está entre os cinco mais populares do país. O executivo resolve, então, dar um Google na pessoa que assinará o contrato, o presidente do time. E vê associado ao futuro parceiro casos de socos, confusão e até tiroteio. Com bom senso, não há mais conversa.

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Vasco mostra futebol hostil
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A eleição do Vasco foi um vexame absoluto, com baixarias totalmente inaceitáveis. O problema fica maior quando se lembra que não é caso isolado. Do calote das marmitas no Parque São Jorge à foto dos flamenguistas sem máscara, dirigentes esportivos adoram um papelão. Nos últimos anos, teve briga com soco até no mais alto escalão do Morumbi.

A consequência é que o futebol se torna fechado a um mesmo grupo de pessoas que acham que isso é razoável. Investir no esporte demanda uma grande dose de paixão pelo time, o que deveria ser o último argumento de aproximação ao mercado em um ambiente minimamente profissionalizado. Depois da baixaria, pouco adianta colocar aquele executivo altamente capacitado como diretor de marketing; não há nada que ele poderá fazer para melhorar a imagem da instituição em curto prazo.

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Dirigentes de futebol estão longe de ser a pior espécie do mundo. Esse tipo de confusão acontece nos mais diversos ambientes, inclusive dentro de grandes empresas. A diferença é que o futebol vive da imagem e, ainda por cima, convive com essa imagem arranhada. O Barcelona teve uma série de polêmicas nos bastidores recentemente, mas, de maneira geral, transmite a sensação de grande profissionalismo e de excelência na entrega aos parceiros.

Se os clubes brasileiros querem mudar a impressão frente às grandes empresas, eles precisam pensar em quais valores querem ser associados e fazer um plano em longo prazo para obter resultado. E isso irá incluir processos democráticos internos bem mais saudáveis do que são vistos hoje.

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