Opinião

Opinião: Tóquio 2020 chutou o espírito esportivo para longe

por Duda Lopes
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Japoneses usando máscaras caminham em frente ao símbolo dos Jogos Olímpicos em Tóquio
EFE
Japoneses usando máscaras caminham em frente ao símbolo dos Jogos Olímpicos em Tóquio
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O mercado esportivo, de maneira geral, se comporta mal durante a pandemia do Covid-19. Sistematicamente, os interesses econômicos têm sobressaído ao bom-senso, e milhares de vidas perdidas diariamente têm ficado em segundo plano para o segmento. O maior símbolo disso é Tóquio 2020 que, mais uma vez, tem se mostrado terrivelmente mesquinho.

As declarações recentes do presidente do COI, Thomas Bach, e do Primeiro Ministro japonês, Yoshihide Suga, mostram um enorme desprezo à crítica situação vivida pelo Japão. O Covid-19 não é uma doença do passado, ela está mais forte do que nunca. Especialmente no país asiático!

Globalmente, como deve ser considerado no caso dos Jogos Olímpicos, foram perdidas mais de 16 mil vidas no último dia 16 de janeiro, segundo o levantamento de dados que realiza o Google. Foi o pior dia desde o início da pandemia.

Diminuir essa situação é entrar no time dos negacionistas, o time formado pelos mais deprimentes políticos espalhados pelo mundo. O time daqueles que pisam sobre a vida alheia para manter um argumento pífio em seus círculos de patéticos seguidores.

É algo que o esporte não pode ser dar ao luxo de estar associado.

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Os Jogos Olímpicos representam a alegria que a Coca-Cola tanto busca, a união que o McDonald’s buscou por quatro décadas. Com essa postura lamentável, tudo se perde.

E pedir por um posicionamento diferente não é pedir muito. Quando foi adiado, Tóquio 2020 já sofria uma enorme pressão por conta da situação cada vez mais delicada do Covid. Os organizados ignoraram totalmente os fatos que todos viam. E a indefinição era sabida por qualquer especialista na área, sem previsão de vacina antes de 2021.

Agora, o COI e o Comitê Local repetem os erros após um adiamento que já custou US$ 2,4 bilhões. É inadmissível.

Se tivessem o mínimo de bom senso, Tóquio teria sido suspenso imediatamente após o Covid-19 ter se tornado uma pandemia. O esporte, mais do que qualquer outro segmento, não pode ficar acima da saúde das pessoas. O evento voltaria a ser marcado quando houvesse clima para isso.

O prejuízo financeiro talvez até fosse menor. E a imagem do maior evento do planeta ficaria intacta.

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