Opinião

Opinião: Que atleta brasileiro você vai olhar em Tóquio?

por Rosana Fortes, especial para a Máquina do Esporte
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Daniel Nascimento cruza a linha de chegada em primeiro na sua estreia em maratonas, ganhando vaga para Tóquio
Divulgação
Daniel Nascimento cruza a linha de chegada em primeiro na sua estreia em maratonas, ganhando vaga para Tóquio
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Em quais atletas brasileiros você estará de olho em Tóquio 2021? Eu confesso que não tenho uma resposta imediata. Com certeza os jogos da Seleção Brasileira de Futebol prendem a nossa atenção. Em tempos normais, eram dias em que éramos liberados mais cedo do trabalho e, se caíssem em fins de semana, era aquela boa desculpa para reunir os amigos e fazer um churrasco. Nos Jogos Olímpicos, outras modalidades ganham visibilidade e batem de frente com o futebol, a paixão nacional. É nessa época que muita gente aprende as regras do handebol, do badminton e até do golfe...

Eu sou uma apaixonada pelas provas de corrida (todas!), natação, ciclismo e alguns esportes coletivos. Mas dificilmente saberia hoje dizer a escalação do nosso time de vôlei ou uma relação rápida dos nossos principais atletas da corrida. E daí o gancho para uma reflexão e o motivo principal do artigo de hoje. Por que continuamos desconhecendo grandes nomes do nosso esporte, fora o futebol e suas polêmicas? Onde estão a mídia e as marcas para abraçarem esses atletas guerreiros?

Há poucos dias pipocaram notícias sobre um novo nome classificado para a Maratona do Jogos de Tóquio. Daniel Nascimento, 22 anos, fundista, completou os 42,195km em 2h09min05s em sua estreia na modalidade em Lima, no Peru. Com esse tempo, garantiu a sua vaga superando em mais de 2 minutos o índice olímpico (2h11m30s), em uma prova técnica e repleta de "falsos planos" e "cotovelos" do percurso. E na mesma semana (sim, ele não para!) Danielzinho, como é conhecido entre os amigos, ainda foi campeão sul-americano dos 10.000m.

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Perguntei para meu amigo e respeitado jornalista do meio, Sérgio Rocha, por que não conhecíamos o Daniel? "Os veículos de massa dão pouco espaço para o que acontece na periferia do esporte. Continuamos sendo o país do futebol. O Daniel foi o melhor brasileiro na São Silvestre, ganhou a Meia de São Paulo, o Troféu Brasil… Estava bem claro o potencial dele!" E completou: "é surreal pensar que com esse tempo ele chegará em Tóquio sem um patrocínio de marca esportiva".

Eu confesso que mesmo trabalhando com a categoria de corrida há bons anos, conhecia muito pouco do Daniel e de sua história. Um menino super simples e carismático, atleta do ABDA de Bauru que era a grande promessa de provas de meio-fundo há alguns anos e depois ficou algum tempo sem competir. Meses atrás decidiu treinar no Quênia, o que na opinião do seu treinador Neto Gonçalves foi fundamental para o seu grande desempenho.

Do lado de cá do balcão, com um crachá de empresa global respeitada no meio, tenho a missão de me aproximar desses atletas para de alguma forma oferecer suporte a eles. Olhar menos o número de seguidores em redes sociais e mais o desempenho desses heróis do esporte. Espero que mais uma vez os Jogos Olímpicos tragam a visibilidade necessária que as modalidades e os atletas precisam para crescer e se desenvolver!

Rosana Fortes é country manager do Strava no Brasil e escreve mensalmente na Máquina do Esporte

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