Opinião

Opinião: Portugal mostra que Brasil perde tempo com direitos de TV

por Redação
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O futebol brasileiro tem o péssimo hábito de se limitar aos bons exemplos superficiais das principais ligas do mundo. É a música quando os times entram em campo, no melhor estilo Champions, são os ingressos na altura, como na Premier League. Mudanças profundas que tornam o negócio do esporte mais sustentável são ignoradas. Poucos itens deixam isso tão claro quando a discussão em torno dos direitos de transmissão.

Nesse caso, o futebol brasileiro não ignora os bons exemplos; ele pega uma via expressa no sentido contrário. Implodiu o órgão de fazia a negociação em conjunto, brigou pelos contratos individuais e, mais recentemente, rasgou o que restava de dignidade ao abraçar o Governo Federal para impor um modelo que torna a disputa entre clubes ainda mais desigual.

O problema é que, além do tempo perdido com a causa errada, pouco se fala agora sobre os caminhos mais razoáveis que os clubes devem tomar. Há negociação para o Brasileirão em três anos, e ninguém parece estar preocupado com alguma reorganização. Vai custar caro.

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O exemplo mais recente é do Campeonato Português, que nesta semana deu um basta nas negociações individuais. Como esperado, o modelo, com direitos ao time mandante, criou um abismo absurdo entre as equipes. Além disso, a falta de um número de empresas definidas para a transmissão do torneio gerou um caos de gestão. Péssimo para todo o controle de imagem da liga nacional.

Portugal era uma exceção no futebol de primeiro mundo. Entre as grandes ligas hoje, apenas o México mantém o modelo individual, mas está longe de ser o melhor exemplo a ser seguido. A Espanha, símbolo de desigualdade no futebol até poucos anos atrás, teve que sofrer uma intromissão estatal para mudar os termos. Justamente o movimento contrário ao sofrido pelo Brasil em 2020.

A mudança pela centralização, no entanto, não é simples. Portugal mesmo declarou que o processo deverá estar completo apenas em 2028. É fácil de entender: mais complicada é a venda em conjunto quando mais contratos são assinados. Algo que a tal da Lei do Mandante faria explodir no Brasil.

Negociação em conjunto não é querer inventar a roda. Quem fez tem sucesso, quem não faz se arrepende. O futebol brasileiro não pode perder tempo escolhendo um caminho, ele tem que se organizar para fazer o que dá certo. E, como ficou claro no último ano, não será fácil ter a unanimidade e, portanto, o trabalho precisa ser iniciado o mais rápido possível.

Em conjunto, os clubes podem passar a pensar em adaptações para o melhor rendimento financeiro. Podem escolher a maior emissora do país, podem criar categorias. Podem dissolver em mais de um parceiro, como fazem os americanos e, no Brasil, como faz o NBB com tanto sucesso. Deve ser dono do produto e vender de maneira que for mais vantajoso.

Só não pode perder tempo com fórmulas globalmente fracassadas.

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