Opinião

Opinião: Por que o esporte ainda tem cadeira cativa na TV

por Sergio Patrick - Especial para a Máquina do Esporte
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Conteúdo ao vivo na televisão ainda é a fortaleza do esporte no mercado americano
Divulgação
Conteúdo ao vivo na televisão ainda é a fortaleza do esporte no mercado americano
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Houve um tempo em que a audiência de um evento esportivo transmitido pela televisão era medida apenas pela quantidade de aparelhos ligados no período da transmissão e numa estimativa do número de pessoas impactadas. Nesse quesito, o Super Bowl reinou absoluto na TV americana nas últimas décadas.

Vários fatores apontam atualmente para uma transição na forma de medir esse impacto. São cada vez mais raros fenômenos de massa, que tenham capacidade de atingir milhões de pessoas ao mesmo tempo. Com a revolução digital, o espaço é cada vez maior para um conteúdo que tenha como foco um público específico. E esse público procura e exige cada vez mais que a produção seja moldada ao seu interesse.

Esse movimento tem feito estrago em todos os tipos de veículos de comunicação. Até mesmo os que já pareciam moldados a um interesse específico. Recentemente, a NBC anunciou que vai fechar seu canal de esportes, o NBC Sports. Esporte parece já não ser suficiente. O público quer tênis, golfe e futebol americano. E talvez nem isso seja adequado, mas o futebol americano universitário de uma determinada conferência, ou torneios de tênis que tenham a participação deste ou daquele atleta.

Os números do Super Bowl LV, disputado em fevereiro em Tampa, confirmam muitas suspeitas ou tendências. O jogo entre Tampa Bay Bucaneers e Kansas City Chiefs teve a pior audiência para um Super Bowl desde 2007 na televisão e um recorde de 5,7 milhões de espectadores que usaram a internet e os serviços de streaming para acompanhar a partida.

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Os comerciais, atração a parte durante a transmissão, foram alvos de críticas com relação a falta de diversidade. Na temporada em que a liga abraçou de vez a defesa pela justiça social e o combate ao racismo, um levantamento da Ad Age mostra que apenas 45% dos filmes apresentados representaram audiência de forma diversa e inclusiva, mesmo patamar do ano passado, além de pouca relevância cultural para audiências hispânicas.

Nem mesmo achar o artista certo para o show do intervalo tem sido tarefa fácil. A NFL tem tentado nos últimos anos mirar no público que não assiste normalmente o futebol americano, mas liga a TV para a grande final. Mesmo com um palco sem igual e os cofres cheios de dinheiro, a liga não tem conseguido se livrar das críticas quando as escolhas são anunciadas. Cada um quer o seu artista favorito, o que mostra de novo a força da segmentação.

O que então explica a assinatura de um acordo recorde no contrato de TV entre a NFL e as emissoras americanas? Apesar dos números, o esporte segue proporcionando as maiores audiências na televisão e o fato de as transmissões serem num horário específico e de ficarem mais interessantes em telas grandes faz com que ainda não tenham o mesmo destino de notícias, adquiridas pela maioria dos americanos em redes sociais e do entretenimento, que migrou com tudo para o streaming.

Sergio Patrick é jornalista especializado em comunicação corporativa e escreve mensalmente na Máquina do Esporte sobre o esporte nos Estados Unidos

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