Opinião

Opinião: Patrocínio começa a se tornar solução de negócios

por Erich Beting
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NFL terá espaço exclusivo dentro de lojas da Amazon, tanto físicas quanto virtual
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NFL terá espaço exclusivo dentro de lojas da Amazon, tanto físicas quanto virtual
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Nos últimos dias, o mercado de patrocínio esportivo mostrou que o futuro começa a se desenhar de uma nova forma tanto para as instituições esportivas quanto para os seus parceiros comerciais. Mais do que a relação de patrocínio pura e simples, com pagamento de verba por parte do patrocinador e ativações de marca para justificar o investimento, o mercado começa a entrar cada vez mais numa relação em que o principal, para os dois lados, é a solução de negócios.

Quando a entidade esportiva conhece melhor seu consumidor e sabe o que precisa com um patrocínio, a evolução natural da relação passa a ser encontrar soluções de negócios, tornando ainda mais vantajoso um acordo comercial que já existe.

O UFC precisa entregar um novo tipo de conteúdo para o seu fã e mostrar-se moderno, enquanto a Amazon precisa popularizar ainda mais a Alexa e os serviços de inteligência artificial para o consumidor brasileiro. Assim, as duas empresas se uniram para um negócio relativamente simples, mas eficiente, para atender aos propósitos dos dois lados.

Nos Estados Unidos, o esporte começa a olhar o varejo com mais atenção. O acordo da NFL com a Amazon extrapolou a área de direitos esportivos. Agora, produtos da liga de futebol americano vão estar mais “acessíveis” dentro da rede de lojas Amazon.

Da mesma forma, o negócio entre Red Bull e Walmart foi além do patrocínio da rede varejista à equipe de Fórmula 1. A marca de energético que é dona do time esportivo vai aproveitar o acordo para aumentar a presença no mercado americano, um dos poucos em que ela tem menor participação em vendas. Já a rede de lojas usará o piloto mexicano da equipe, Sergio Pérez, para expandir a operação no país vizinho aos EUA.

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Esses acordos começam a mostrar uma realidade trazida pela pandemia e que pode revolucionar o mercado de patrocínio. Com uma legião de consumidores atrelada a si, o esporte é, mais do que uma plataforma de mídia, uma solução de negócios para o seu patrocinador.

Parece meio óbvio, mas essa capacidade que a entidade esportiva tem é algo pouco explorado até mesmo em mercados mais maduros, como o americano. Precisou a entidade esportiva se profissionalizar ainda mais e passar a querer buscar novos negócios para isso começar a acontecer.

Por aqui, a indústria ainda engatinha. Começamos a entender que o conteúdo é parte fundamental da narrativa de um patrocínio, mas pouco temos feito para explorar melhor o real potencial de uma relação entre entidades esportivas centenárias e com alto poder de engajamento, que é, no final das contas, vender.

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