Opinião

Opinião: Os clubes e o retorno do público aos estádios

por Kleber Borges
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Opinião: Os clubes e o retorno do público aos estádios
Reprodução / Twitter (@EURO2020)
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O clima de euforia que estamos sentindo ao assistir aos jogos da Eurocopa com a presença de público, além do crescimento de vacinados no país, nos dá a esperança de um retorno breve de público aos estádios no Brasil.

É certo, no entanto, que ainda há uma dificuldade em uniformizar um modelo e prazos para este retorno devido às dificuldades com a pandemia que persistem em todas as regiões do país, além da diversidade de decretos em andamento nos estados que refletem níveis de flexibilização diferentes. Mas existe uma questão que precisa ser analisada: os clubes terão condições financeiras para cumprir os eventuais protocolos que serão requeridos e cobrados?

Se usarmos como comparativo as exigências que estão sendo solicitadas nas principais competições internacionais, o custo operacional dos jogos será bem mais alto do que antes da pandemia, mesmo com a volta gradativa de apenas 10% a 20% do público.

Exigências como a separação e marcação dos assentos, disponibilização de álcool em gel, higienização constante de espaços comuns e a contratação de mais equipe para fiscalizar tendem a aumentar o custo de operação, uma vez que já existe uma dificuldade imensa, por parte dos clubes, de manter os protocolos atuais e cotidianos dos estádios, como manutenção dos gramados, testagem do staff e manutenção das estruturas internas para receber as delegações.

As arenas, em sua grande maioria, já possuem as estruturas necessárias para acesso, setorização e áreas internas, o que facilita a implementação desses protocolos, mas os estádios tradicionais precisarão passar por grandes adaptações para oferecer o mínimo necessário para o cumprimento dos novos protocolos. Para cobrir esses custos, a criatividade dos clubes e seus gestores terá que ser testada. É inevitável que, inicialmente, o aumento do valor do ingresso aconteça. Será muito importante o apoio institucional das federações e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Já se sabe que a CBF e os clubes iniciaram as conversas sobre o retorno em abril. À época, a previsão de volta do público era para setembro, mas, com o crescimento no número de vacinados, essa volta pode ser antecipada.

Mesmo com todos os desafios e dificuldades para esse retorno, será muito importante para os clubes terem de volta a arrecadação de receitas advindas de ingressos, alimentos, bebidas, estacionamentos e outras fontes tão importantes para a sobrevivência financeira das instituições, além de criarem novas fórmulas capazes de gerar renda, como carnês especiais para o restante da temporada, ações de engajamento entre torcedores e patrocinadores, etc.

Em breve, a emoção que hoje estamos sentindo ao assistir à Euro pela TV voltará a ser vista nos nossos estádios. E será indescritível!

Kleber Borges é diretor-presidente da Arena de Pernambuco e escreve mensalmente na Máquina do Esporte

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