Opinião

Opinião: O valor de ser cidade-sede vai muito além do preço

por Ivan Martinho
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Opinião: O valor de ser cidade-sede vai muito além do preço
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Bahrein, Baku, Abu-Dhabi, Catar, Riade, Sochi, Santo Domingo, Saquarema. É muito provável que você, fã de esporte, ao ler o nome dessas cidades ou países, já associa a eventos esportivos que acontecem ou aconteceram por lá! Ah, aquela cidade em que acontece aquele Grande Prêmio, o país da próxima Copa do Mundo, aquele lugar dos Jogos Olímpicos de Inverno, o paraíso dos surfistas!

Apesar de não ser uma estratégia nova, sediar eventos esportivos para mostrar força e organização de uma nação, causar impacto econômico, social de curto e longo prazo e construir uma marca de destino turístico é uma ferramenta que ainda tem um grande potencial a ser explorado e compreendido pelos diversos players do mercado, incluindo as autoridades de cidades e estados.

Apesar de um exemplo indigesto, a literatura diz que Adolf Hitler, ao conseguir convencer o Comitê Olímpico Internacional (COI) de sediar os Jogos Olímpicos de 1936 na Alemanha, usou a boa repercussão do evento para fazer propaganda do nazismo, tendo realizado um evento impecável do ponto de vista de organização e gerando uma imagem boa, amistosa e confiável. Vale lembrar aqui que, antes da guerra e no poder desde 1933, o ditador era popular e admirado não só na Alemanha.

Viajando no tempo e chegando em 2008, lembramos da Olimpíada de Pequim com sua suntuosa cerimônia de abertura, a mais cara da história, suas arenas lindíssimas como o Estádio Ninho do Pássaro e o desejo de mostrar ao mundo a nova cara do país por meio de um espetáculo de grandeza! Em 2022, tem mais, dessa vez em fevereiro para os Jogos Olímpicos de Inverno.

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Em março de 2020, o mundo dos esportes parou. Depois, começamos a enxergar sinais de normalidade ou “nova normalidade”! Se você liga a televisão ou abre seu app de esporte preferido agora, se lá está acontecendo uma transmissão ao vivo, e o evento está se desenrolando tranquilamente, a suposição é que a pandemia já foi vencida, sobretudo se houver espectadores. É uma forma de dizer pra você “ei, nós estamos abertos para o mundo!”.

Em muitos países, o Ministério do Turismo atua como patrocinador e negocia com as ligas, federações e organizadores de eventos para se tornarem sedes em troca de investimento. No Brasil, a principal ferramenta de estímulo à realização de eventos de esporte, cultura e entretenimento são as Leis de Incentivo que possuem regras e formatos diferentes nas esferas municipal, estadual e federal.

Ser capaz de demonstrar como um evento faz a diferença será cada vez mais importante na negociação, e aqui falamos não só de impacto econômico, mas especialmente de propósito e conexão com a comunidade local, sustentabilidade, diversidade, legado, etc.

Consultorias internacionais como a EY, KPMG e outras desenvolvem estudos de impacto econômico e social, e, por meio deles, é possível verificar em dados e números qual é ou qual foi, de fato, o impacto gerado no curto prazo. Lá estão números como investimento direto para a realização do evento, total de gastos dos visitantes, número de visitantes do evento, impostos recolhidos, empregos gerados, avaliação de satisfação dos visitantes, possibilidade de indicarem o destino para conhecidos, etc.

À medida que a vacinação avança mundo afora e a pandemia, com seus terríveis impactos na indústria de esporte e entretenimento, vai ficando para trás, o turismo passa a ser sinal de recuperação econômica. Nesse aspecto, eventos esportivos de diversos tamanhos continuarão sendo estratégicos para continuar colocando destinos turísticos no mapa e no desejo das pessoas.

E você, já programou suas próximas férias para conhecer aquela cidade em que seu atleta preferido costuma conquistar títulos e medalhas?

Ivan Martinho é CEO da World Surf League (WSL) para a América Latina e escreve mensalmente na Máquina do Esporte

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