Opinião

Opinião: O poder do streaming para os esportes olímpicos

por Manoela Penna, especial para a Máquina do Esporte
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Canal Olímpico do Brasil é uma plataforma que atende demanda reprimida de consumo dos esportes olímpicos
Divulgação
Canal Olímpico do Brasil é uma plataforma que atende demanda reprimida de consumo dos esportes olímpicos
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Quem ama esporte espera ansiosamente por aqueles 15 dias de sonhos a cada quatro anos: você senta em frente à TV de manhã e só levanta altas horas da noite, depois de ter assistido a judô-natação-badminton-vôlei-esgrima e tudo o mais que pintar na telinha. Ah, os Jogos Olímpicos!

Mas, sinceramente, para que esperar tanto se o esporte acontece durante os quatro anos do ciclo? Ou vocês pensam que Isaquias Queiroz não remou milhares de quilômetros para que na Rio 2016 saísse da Lagoa como maior medalhista da história do Brasil em uma edição de Jogos Olímpicos? E o tanto que Thiago Braz saltou para cravar 6,03m diante de um Engenhão tão encantado quanto surpreso? E assim tantos outros nomes que passam desapercebidos do grande público em seu dia a dia até que uma medalha lhes adorne o pescoço.

Sim, eu sei que a audiência dita as regras nas grandes emissoras – sejam elas abertas ou a cabo. O anunciante quer grandes números. O público quer bola na rede. E tudo o que não é futebol (e, vá lá, vôlei e MMA) acaba sendo convenientemente esquecido até que a pira olímpica volte a ser acesa.

Um ciclo vicioso que penaliza modalidades – que deixam de ser conhecidas... e ninguém gosta do que não conhece –, atletas, patrocinadores e o próprio público apaixonado por esporte. Um problema que afeta, sim, nosso destino como potência olímpica. Como sonhar em conquistar mais medalhas sem ser, de verdade, uma nação que consome esporte?

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E é justo aí que entram as plataformas de streaming. O mais eficiente e natural caminho para levar mais longe os esportes olímpicos.

Há poucos meses o Comitê Olímpico do Brasil lançou o Canal Olímpico do Brasil, uma parceria com a TV NSports com o objetivo de transmitir pelo menos um evento de cada uma das 35 Confederações integrantes do programa Jogos.

Os números falam por si: mais de 6 milhões de minutos assistidos que não estariam na grade das emissoras tradicionais e um tempo médio de 35 minutos consumidos por pessoa nas transmissões ao vivo. Sim, trinta e cinco minutos. É tempo pra dedéu (mais do que eu tenho dedicado a assistir ao Fluminense, confesso!). E se eu disser que o Pré-Olímpico de Esgrima deu 1h05min de média, o Pan de Levantamento de Pesos 54 minutos, o Sul-Americano de Remo 51 minutos e o Pan de Judô o recorde de 1h56min? Não te convence? Então, acredite: um torneio internacional de badminton bateu mais de 30 minutos assistidos em média às 7h da manhã de um sábado qualquer. “Os técnicos de todo o Brasil agora podem ver o melhor da modalidade em português e sem ser em canais pirata. Isso vai elevar o nível do badminton no Brasil”, registrou a Confederação no dia seguinte. Vai além de uma simples transmissão, convenhamos. Lembra quando falei em potência olímpica, nação esportiva...?

Isso tudo significa muito. Escancara uma demanda reprimida gigantesca, abre uma oportunidade valiosa de relacionamento com esse público e deixa claro o potencial de consumo incrível que existe por parte desses fãs do esporte ávidos por conteúdo e interação. Ajuda a fazer o esporte olímpico crescer.

E assim, de repente, vamos ver que todo domingo pode ser um domingo daqueles. Como nos Jogos Olímpicos.

Manoela Penna é diretora de comunicação e marketing do COB e escreve mensalmente na Máquina do Esporte

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