Opinião

Opinião: O fim do amadorismo

por Sergio Patrick
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Jim Thorpe é um dos atletas mais celebrados de todos os tempos. Da origem em uma tribo nativa no oeste dos EUA (no que hoje é o estado de Oklahoma), ele ficou famoso jogando com sucesso futebol americano e beisebol alternadamente no começo do século XX.

Em 1912, tornou-se também uma estrela olímpica, ao vencer o pentatlo e o decatlo nos Jogos de Estocolmo, o que lhe rendeu o elogio de "maior atleta do mundo" do rei da Suécia. No ano seguinte, no entanto, teve as honras retiradas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) por ter violado as regras do amadorismo no esporte ao receber para jogar beisebol entre 1909 e 1910.

As medalhas e o reconhecimento como campeão olímpico só foram restabelecidos em 1983, três décadas depois da morte de Thorpe. Esse mesmo conceito de amadorismo fazia com que atletas universitários fossem proibidos de ganhar dinheiro com a própria imagem até o mês passado.

A NCAA (National Collegiate Athletic Association), entidade centenária que organiza os esportes universitários nos EUA, e as próprias universidades foram duramente criticadas nos últimos anos porque faturavam bilhões de dólares e não repassavam nada aos atletas.

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Tudo que os atletas recebiam em benefícios era controlado, até mesmo as refeições. O armador Shabazz Napier, campeão universitário por UConn e hoje no Washington Wizards, chegou a dizer, em 2014, que muitas vezes foi para a cama com fome por causa da limitação.

Com processos em vários estados e a pressão aumentando, a NCAA cedeu. É natural que venham à cabeça os grandes atletas e os contratos milionários com grandes marcas a que só um pequeno grupo terá acesso. Mas, apesar de ser importante, esse não é o maior impacto da mudança de regra.

Há muito atletas que não têm o status de celebridades nacionais ou globais, mas são conhecidos o bastante dentro da comunidade em que estão suas universidades. Eles podem faturar como influenciadores nas redes sociais, com aparições em eventos e até com parcerias com pequenas empresas dessas regiões.

É muito difícil prever o tamanho dessa mudança para a estrutura do esporte universitário americano. É bem provável que NCAA e escolas sofram inicialmente com perda de receita, uma vez que parte do dinheiro será embolsado por atletas.

Mas também é possível que uma nova leva de oportunidades apareça, como a necessidade de profissionais para ajudar atletas ocupados com aulas, treinos e jogos a administrar os contatos e contratos.

E ainda há uma chance de o movimento, que em um primeiro momento parece ser uma derrota para a NCAA, aumentar o interesse nos atletas e, por consequência, nos esportes universitários nos EUA.

Sergio Patrick é jornalista especializado em comunicação corporativa e escreve mensalmente na Máquina do Esporte sobre o esporte nos Estados Unidos

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