Opinião

Opinião: Muito além do pórtico

por Rosana Fortes - Especial para a Máquina do Esporte
A
A
Desafios virtuais ganharam volume durante a pandemia, e os corredores passaram a disputar provas virtuais sozinhos
Divulgação
Desafios virtuais ganharam volume durante a pandemia, e os corredores passaram a disputar provas virtuais sozinhos
publicidade

No final de 2019, quando comecei um novo desafio profissional, o mercado de esportes não era uma novidade para mim. Já são mais de 10 anos trabalhando com a categoria de corrida e quase 20 sendo uma esforçada atleta amadora - mais recentemente uma triatleta "wanna be".

Nos primeiros meses no novo trabalho me aprofundei no conhecimento da plataforma, nas peculiaridades relacionadas ao mercado brasileiro - o País é hoje o 2º lugar em números de usuários totais do Strava - e nos objetivos de médio e longo prazo. Formei um grupo de atletas, que me ajudariam a colocar meus planos de pé e rapidamente me conectei com os grandes organizadores de provas, excelente canal para propagarmos as principais mensagens da marca e nos mostrarmos presentes para toda comunidade.

E, então, março de 2020 chegou, virando o nosso mercado de cabeça para baixo. As tão desejadas provas de corrida, ciclismo e triatlo sumiram do mapa, e as grandes empresas organizadoras pararam de operar, de faturar e em muitos casos de empregar.

Quem diria que em tão pouco tempo os organizadores se vissem tendo que se reinventar? O plano de acelerar o digital nunca se mostrou tão urgente e nunca se ouviu falar tanto de provas e desafios virtuais.

As modalidades virtuais não são uma novidade de hoje, mas desde o início da pandemia estão se mostrando como umas das formas mais eficazes de manter o público fiel às metas das provas agora canceladas. Maratonas, como a de Boston e Nova York, ilustram bem esse movimento de readequação à nova realidade e mesmo com números de inscritos ainda muito abaixo das versões "offline", têm conseguido engajar um número considerável de participantes.

publicidade
Número de participantes dos desafios virtuais no Strava cresceu sensivelmente durante a pandemia
Divulgação
Número de participantes dos desafios virtuais no Strava cresceu sensivelmente durante a pandemia
publicidade

Em 2020, o número de atletas que participaram dos desafios no Strava mais que dobrou em comparação ao ano anterior. Em um único desafio de 5km, por exemplo, conseguimos reunir mais de 1 milhão de participantes, e toda comunicação foi feita exclusivamente dentro do app. Também no ano passado tivemos os primeiros desafios locais patrocinados no Brasil. Grandes marcas que haviam planejado um investimento em provas precisavam dar um recado positivo aos atletas, mostrar que estavam presentes e incentivando toda e qualquer prática esportiva com segurança. E assim fizeram.

Qual a graça de correr sozinho e sem pórtico de chegada? Cadê o frio na barriga, a torcida e a selfie pós-prova com os amigos? É injusto compararmos as duas experiências, mas não tenho nenhuma dúvida que esse mercado nunca mais será o mesmo. Mesmo com roll out das vacinas ainda vamos demorar para aglomerar e ouvir o sinal da largada estando a um palmo de distância do corredor vizinho.

Se eu tivesse que dar um palpite para os novos tempos seria foco total nos eventos menores e mais nichados, indicados a públicos com interesses semelhantes. Eventos que misturam o físico com experiências digitais. Que começam em um aquecimento virtual, que de alguma forma ajuda o atleta a achar o seu cluster, o seu grupo naquela prova menor. Sem falar que as marcas podem assim achar mais espaço para o engajamento com o atleta por um período mais longo, não apenas em um único dia de evento.

Muito além do pórtico.

* Rosana Fortes é country manager do Strava no Brasil e escreve mensalmente na Máquina do Esporte

publicidade

COI anuncia primeira Olimpíada virtual