Opinião

Opinião: Mercado de TV volta a ser das grandes marcas

por Erich Beting
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Logomarca da TNT Sports, que sepultou de vez o Esporte Interativo
Divulgação
Logomarca da TNT Sports, que sepultou de vez o Esporte Interativo
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Há oito anos, o esporte no Brasil parecia viver um sonho. Naquele 2014 em que, apesar dos pesares, a Copa do Mundo seria realizada no país, o mercado de mídia estava em ebulição. A Fox Sports mostrava que teria apetite para brigar pelos grandes eventos esportivos. Da mesma forma, o Esporte Interativo começava a se consolidar como uma alternativa muito além da antena parabólica ao anunciar, em parceria com a Turner, o EI Nordeste, primeiro canal regional em TV paga do país.

Parecia que, finalmente, Globo e ESPN seriam incomodadas dentro de sua liderança absoluta no país desde que a TV a cabo surgiu, no começo dos anos 90. Pouco tempo depois, o que era impressão virava quase certeza.

A Fox parecia sem freios com compra de direitos de torneios grandiosos, investimento pesado em marketing e a contratação a peso de ouro de figuras carimbadas de outras emissoras e de ícones do esporte. Ao mesmo tempo, a participação cada vez maior do grupo Turner no negócio do Esporte Interativo, que passou a brigar também por direitos e profissionais no mercado, além de se lançar nacionalmente como mais um canal esportivo na TV paga brasileira, dava a nítida sensação de que o jogo iria mudar.

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O começo do ano de 2021, porém, mostra uma nova realidade.

A Disney acabou com os programas que existiam nos canais Fox Sports, marca que ela será obrigada a vender no ano que vem por conta do acordo de fusão entre Disney e Fox. O foco, claramente, será a ESPN.

Da mesma forma, a Turner colocou um ponto final na marca Esporte Interativo, ao unificar suas mídias esportivas dentro da bandeira TNT Sports. O foco, também, passa a ser a marca TNT, carro-chefe do grupo na TV paga, mas que nunca será um canal 100% de esportes.

Para o torcedor, fica a sensação de que o Eldorado acabou. Passaram Copa do Mundo e Jogos Olímpicos e o esperado grande salto do esporte no Brasil não aconteceu. Ou, pelo menos, não foi aquele duplo twist carpado que esperávamos.

Para o mercado, fica a certeza de que não tem espaço para tantos atores dentro da indústria de mídia esportiva. Fox Sports e EI eram operações deficitárias, que só se mantinham ativas por conta do interesse de seus donos de deixar suas marcas no mercado.

A realidade, hoje, é outra. Não conseguimos nos sustentar no patamar que estivemos há uma década. Mas o esporte, inegavelmente, é uma indústria muito mais profissional hoje do que há 20 anos. Uma prova disso é que o mercado de mídia já se ajustou para o tamanho que lhe cabe dentro dessa realidade.

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