Opinião

Opinião: Madri dá lição à administração de São Paulo

por Duda Lopes
A
A

O Brasil sonha com medalha, mas parece desprezar o esporte. A falta de planejamento e de afinco com uma política esportiva já é histórica no país, mas poucas vezes foi tão bem simbolizada com as iniciativas mais recentes do Governo do Estado de São Paulo. A virada do ano foi marcada pelo desejo da administração público em transformar o complexo do Ibirapuera em um grande shopping center. Campos, piscinas e quadras podem virar lojas cedidas à iniciativa privada.

Por coincidência, poucos dias depois uma das maiores potências esportivas da atualidade, a Espanha, mostrou como o Brasil pensa o esporte de modo equivocado. Na última semana, a capital Madri, já famosa por seus belos parques, fez anúncios significativos para que a prática de atividades físicas estejam cada vez mais conectadas com a qualidade de vida de seus moradores.

Primeiro, a Prefeitura da Cidade anunciou a construção de um novo parque, com uma estrutura voltada para a prática de skate e BMX. Na zona sul da metrópole, no bairro de Villaverde, será construído o local para receber os mais jovens, com equipamentos necessários para que o espaço também possa ser sede de eventos das modalidades.

A outra novidade foi o anúncio de repasse de 5 milhões de euros a entidades de esporte de base. São mais de 500 associações que receberão alguma parte da verba. Somente uma delas, que leva a prática de basquete, rúgbi, natação e polo, mantém 600 jovens em atividade.

publicidade
Jardins do Retiro, em Madri: capital espanhola deverá ganhar mais um parque
Jardins do Retiro, em Madri: capital espanhola deverá ganhar mais um parque
publicidade

Para a Prefeitura de Madri, aumentar os investimentos em esporte tem sido visto como uma reação ao Covid-19, que afastou espanhóis das atividades físicas. Com melhor estrutura, o Estado espera recuperar os praticantes e aumentar ainda mais o uso de espaços públicos. Algo que soa em absoluta contradição ao que tem feito o governo paulista.

Pode parecer um luxo de cidade de primeiro mundo, mas, financeiramente, é pouco significativo. Basta lembrar que, antes de privatizar a administração dos grandes parques da cidade, São Paulo pagava R$ 180 milhões pela manutenção desses instrumentos.

E, muito mais importante, vale a lembrança de que, com o reajuste de salários dos servidores públicos de São Paulo, houve um acréscimo de R$ 500 milhões anuais nas contas da cidade. O que inclui o aumento de R$ 11 mil no salário do Prefeito Bruno Covas.

A Espanha é, neste século, um fenômeno esportivo. Mantém domínio no futebol e no basquete europeu. Tem no ciclismo um enorme destaque e, em Rafael Nadal, um enorme ídolo. Investir em esporte foi uma aposta em saúde, educação e ocupação de espaço público. Hoje, somente o futebol de elite, com os clubes de primeira e segunda divisão, é responsável por 1,4% do PIB do país.

Já passou da hora do Estado brasileiro deixar de olhar para o esporte como se fosse um gasto supérfluo, algo que vale menos que um shopping center. Esporte é investimento dos mais promissores.

publicidade