Opinião

Opinião: Futebol precisa aprender o valor do conteúdo

por Erich Beting
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A estreia de dois documentários, um sobre Gabigol e outro sobre o Corinthians, dentro de diferentes plataformas do Grupo Globo mostra que há um claro interesse do público por mais conteúdo sobre futebol. Por isso mesmo, fiquei surpreso, quando apurei a história sobre os bastidores do acordo com o Corinthians, que a Globo não precisou desembolsar um centavo para ter o direito de mostrar o dia a dia dos bastidores do Timão.

Sim, sem dúvida que é um ganho de imagem espetacular para o clube e seus parceiros comerciais ter uma entrega dessas. Apenas nesta manhã de domingo o Esporte Espetacular dedicou 7 minutos de conteúdo para falar sobre como será “Acesso Total”, mostrando inclusive trechos sobre o programa. Mas será que o clube não teria nada a receber pela cessão desse conteúdo?

Numa era em que o mercado entende cada vez mais que o conteúdo é o que guia a conexão com o torcedor, é impressionante notar que o futebol ainda não encontrou a melhor equação para explorar o vasto repertório que ele tem dentro de seus centros de treinamentos e vestiários.

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Gabigol é protagonista de documentário
Gabigol é protagonista de documentário
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Desde “The Last Dance” que já deveríamos estar olhando com carinho para a produção desse tipo de conteúdo. Numa era em que o consumo é cada vez mais fragmentado e multitelas, o esporte está com a oportunidade de ouro para transformar o seu conteúdo em fonte de receita. Mas não consegue enxergar que, para isso, é preciso criar valor para o produto que tem nas mãos.

Há três anos que a LaLiga mudou seu departamento de comunicação e trouxe, para liderar a área, um ex-executivo da Netflix. Não por acaso, a grande transformação que os espanhóis têm provocado em seu produto é a geração cada vez maior de conteúdo. Dos mais variados tipos, nas mais diferentes plataformas.

Na última semana, a Budweiser e a NBA anunciaram uma parceria que fez a patrocinadora da liga de basquete se transformar, também, num parceiro de mídia dela, transmitindo jogos em seu canal do YouTube.

O conteúdo pode ser usado como ferramenta de marketing, como é o caso do Corinthians agora com a Globo, ou para gerar novas receitas para o clube, como fazem os europeus em acordos milionários com Amazon e Netflix para a produção de documentários.

Alguns times já entraram num novo patamar, criando estúdios próprios para a geração de documentários, animações, produções cinematográficas. Barcelona e Milan largaram na frente nesse quesito.

Esse é o desafio que o futebol brasileiro tem para os próximos anos. Compreender o valor que o conteúdo tem para as marcas dos clubes. Ao fazer isso, eles abrirão cada vez mais suas portas para empresas de mídia. E estarão prontos para, cada vez mais, diversificar a geração de receitas e, naturalmente, atender a demanda de um consumidor cada vez mais exigente.

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