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Opinião: “ESG x SBG”. Na dúvida, prefira os dois!

por Ivan Martinho, especial para a Máquina do Esporte
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Opinião: “ESG x SBG”. Na dúvida, prefira os dois!
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Se você tem o hábito de ler publicações do mundo dos negócios, já deve ter percebido que nos últimos 12 meses a sigla mais comentada de todas é a ESG. As buscas no Google por essas três letrinhas no ano de 2020 explodiram, e isso parece ser apenas o começo. A sigla ESG surgiu pela primeira vez em um relatório em 2005 intitulado “Who Cares Wins” (“Ganha quem se importa”, em tradução livre). Ele era resultado de uma iniciativa liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU) cuja conclusão foi a de que a incorporação desses fatores, no mercado financeiro, gerava resultados mais sustentáveis e melhores relações com a sociedade.

O ESG está se tornando obrigatório para  consultores financeiros, bancos e fundos de investimento para avaliar empresas de acordo com seus impactos e desempenho em três áreas: meio ambiente (E), sociedade (S) e governança (G). Na prática, o ESG é usado para dizer quanto um negócio busca formas de minimizar seus impactos no meio ambiente, construir um mundo mais justo e responsável para as pessoas em seu entorno e manter os melhores processos de administração.

Trata-se da nova obsessão do universo corporativo que no Brasil teve sua difusão acelerada depois do triste acidente de Brumadinho. Já está provado que empresas que pensam em sustentabilidade têm vantagens em seus negócios através da mitigação de riscos, acesso a crédito mais barato e conquista de novos mercados.

Tenho estudado sobre esse tema que é profundo e em breve pretendo escrever aqui sobre as demandas que ele trará para instituições esportivas no Brasil. Quem tiver curiosidade, pode se divertir com o excelente texto do meu amigo César Grafietti. Hoje, porém, minha preocupação aqui é fazer uma reflexão para nós, fãs do esporte e de suas engrenagens, curiosos por todos os detalhes de negócio dessa indústria apaixonante que parece ter muito mais interessados em fazer parte dela do que oportunidades profissionais disponíveis.

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Mas o que é esse tal de SBG que nunca ouvi falar? A sigla que acabei de inventar para “Sports Business Growth”! Isso mesmo! Da mesma forma que nós, consumidores, vamos ficando cada vez mais conscientes ao fazermos nossas escolhas diárias de tudo que compramos, optando por empresas de boa reputação e com avaliações positivas nos seus critérios de ESG, também poderíamos ser assim ao reconhecermos sistematicamente as marcas que apoiam o esporte e, sempre que possível, optarmos por elas nos supermercados, nas concessionárias, nos shoppings, nos aeroportos, etc.

Parece óbvio, mas não é! Você que é torcedor corintiano, o computador em que você está lendo esse artigo é da Positivo? Torcedor santista, dá uma olhada na sua despensa e veja se o feijão que tem lá é Kicaldo. Amante do vôlei, sua conta é no Banco do Brasil? Apaixonado por surfe, sua conexão de banda larga é da Oi Fibra? Fã do rúgbi, você estuda inglês na Cultura Inglesa? E você, fanático por basquete, sua TV por assinatura é da Sky?

Já parou pra pensar quantas escolhas de marcas de produtos fazemos todos os dias das nossas vidas e, mesmo sendo os maiores interessados em que o esporte prospere, seja por paixão, seja por motivos profissionais, talvez não encaramos com a seriedade que deveríamos o fato de que tais marcas apostam no esporte como plataforma porque querem vender mais e com maior margem? Sim! Existem inúmeras formas para mensurar retorno de patrocínio, como ganho de notoriedade, construção de posicionamento, engajamento e valor de marca, mas nenhuma delas é tão convincente quanto o resultado na ponta, o mexer do ponteiro, o sucesso no sell-out!

Se essas marcas tem resultado ao apostar no esporte, elas ampliam seus investimentos e essa ampliação fortalece as instituições esportivas. Uma vez fortalecidadas, essas instituições demandam mais profissionais e contratam mais serviços para atender melhor seus parceiros e, assim, cria-se um ciclo virtuoso que começa lá na gôndola do supermercado quando você opta pela marca que apoia o esporte. Não me refiro aqui somente àquelas do seu time do coração, mas todas que apostam nas mais diferentes modalidades.

Quem trabalha com patrocínios fica com o olho treinado e repara antes nas marcas que estão aparecendo do que no disputa propriamente dita. Tente fazer esse exercício da próxima vez que for assistir qualquer esporte, quem sabe sua lista de compras terá alterações positivas e sem nenhum esforço. Praticando o SBG, você já estará ajudando a fortalecer a indústria que tanto amamos!

Ivan Martinho é CEO da World Surf League na América Latina e escreve mensalmente na Máquina do Esporte

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