Opinião

Opinião: Diga-me como é ser vice e te direi quem és! Quanto vale uma medalha?

por Reginaldo Diniz
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O último final de semana foi bem movimentado para quem gosta de esportes! Não só tivemos a final de Wimbledon, como também as decisões da Euro e da Copa América. Novak Djokovic, Itália e Argentina sagraram-se campeões, mas hoje quero falar sobre Matteo Berrettini, Inglaterra e Brasil, além de Fórmula 1 e NBA.

Afinal, comemorar título é fácil. E ser vice? Começo por Berrettini, atual número nove do mundo, que parabenizou o adversário após a derrota. Para o italiano de apenas 25 anos, perder para um dos melhores do mundo em uma final de Grand Slam indica estar no caminho certo. “Ele jogou sua 30ª decisão, e eu, a primeira. Ele sabe lidar melhor com as emoções. Eu preciso de partidas como essa”, comentou.

Mudando para o futebol, a Inglaterra caiu para a Azzurra nos pênaltis, mantendo a escrita de nunca ter ganhado o maior torneio entre seleções da Europa. Minutos depois da última cobrança desperdiçada, os principais jornais ingleses lamentaram profundamente a derrota, principalmente por ser em casa, no Estádio de Wembley. Mas destacaram como a torcida está orgulhosa de seu país, principalmente por ser um time competitivo com jovens promissores. Apesar do reconhecimento, alguns jogadores ingleses não viram dessa forma, retirando a medalha do peito, assim como os brasileiros contra os hermanos.

Ninguém gosta de perder, principalmente um atleta profissional. Mas retirar uma premiação é no mínimo falta de respeito não só com o vencedor como também com todos os profissionais que se dedicaram para a equipe chegar até a final. A Fórmula 1 é um bom exemplo de como essa realidade deve e pode mudar. Em 2020, a entidade comemorou seu aniversário de 70 anos e trouxe na bagagem mais um candidato a lenda. A exemplo de Michael Schumacher, sete vezes campeão, o inglês Lewis Hamilton se igualou ao alemão em número de títulos na categoria.

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Opinião: Diga-me como é ser vice e te direi quem és! Quanto vale uma medalha?
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No entanto, temos um bom exemplo “em casa” de como o “não campeão” merece igual importância e mérito. Rubens Barrichello, piloto que muitos gostam de criticar até hoje, foi vice-campeão desse campeonato tão difícil em duas oportunidades. Ficar em segundo lugar em uma competição que reúne a nata do automobilismo, na categoria mais cara do planeta, tem muito valor, mesmo com pouco reconhecimento daqueles que só querem saber dos vitoriosos.

Existem outros cases incríveis na F1 que marcaram história, como o britânico Stirling Moss, vice-campeão por quatro vezes consecutivas entre os anos de 1955 e 1958. Ele perdeu a taça três vezes seguidas para o argentino Juan Manuel Fangio que foi, simplesmente, o maior recordista de títulos da categoria até que Schumacher o ultrapassasse, em 2003.

Além desses, é impossível não citar Graham Hill, Nigel Mansell, Sebastian Vettel, Fernando Alonso, Emerson Fittipaldi e as lendas Fangio e Senna, que também foram vice-campeões mais de uma vez.

Na maior liga de basquete do mundo, também há uma lista de craques que jamais conquistaram nenhum título, como Steve Nash, John Stockton, Karl Malone, Charles Barkley, Reggie Miller e Patrick Ewing.

Indo além, esses nomes do esporte, em suas respectivas modalidades, invariavelmente contribuíram e muito para a conquista de novos fãs, o crescimento dos negócios em torno dessas marcas e a inspiração de novos atletas a buscarem um lugar no pódio.

Às vésperas do início dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o que essa atitude de ingleses e brasileiros, ao desprezar suas medalhas, representa para os patrocinadores, a mídia, os organizadores e nós, torcedores? Por que será que o segundo lugar é tão desdenhado, perdendo inclusive para o terceiro? É melhor terminar um torneio com uma vitória do que com uma derrota? Será uma questão cultural? Medo de não ser lembrado?

Apenas para citar um exemplo positivo, recentemente o Manchester City perdeu a final da Champions League para o Chelsea. Qual foi uma das principais manchetes sobre o assunto? Guardiola beija a medalha de prata, valorizando a campanha da equipe! Quantos atletas profissionais de futebol já vimos, sem contar os Jogos Olímpicos, fazerem o mesmo? O que acontece com o futebol? Em um jogo, esquecemos todo o caminho percorrido até a última batalha? E todo o esforço envolvido?

Aliás, vale aqui um dado importante: das 129 medalhas conquistadas pelo Brasil em todas as edições dos Jogos Olímpicos, 36 são de prata, exatos 28%. Se citarmos apenas a edição de 2012, realizada na Terra da Rainha, de um total de 65 medalhas, 17 foram de prata, ou seja, 26%.

Vencer é bom demais! Há duas semanas, o Grupo End to End ganhou o troféu de Ação de Vendas do Prêmio Máquina do Esporte 2020, pela campanha Manto da Massa com o Clube Atlético Mineiro. Porém, se o resultado fosse diferente, não deixaria de valorizar o excelente trabalho feito por toda a equipe. 

Em 2021, estamos novamente buscando o pódio de maior case de vendas do Brasil. Seria espetacular, mais uma vez, disputar esse título, mesmo que a medalha de prata seja a que possamos conquistar.

Lembre-se: dedicar-se ao máximo é obrigação, em qualquer área. Ser campeão é consequência.

Até a próxima!

Reginaldo Diniz é CEO da End to End e escreve mensalmente na Máquina do Esporte

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