Opinião

Opinião: Copa JH mostrou Brasil tolerante a erro

por Duda Lopes
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O dia 30 de dezembro marcará os 20 anos da infame final entre Vasco e São Caetano, pela Copa João Havelange. A partida, encerrada apenas 20 dias depois, foi um marco na desorganização do esporte nacional, um símbolo do fundo do poço. O torneio surgiu após tapetões nos bastidores, teve calendário inchado, desinteresse do público e terminou com uma quase tragédia em um estádio superlotado.

De lá para cá, muito mudou, mas pouco em função do caso em si. Tanto que diversas situações semelhantes foram repetidas nos anos seguintes. Eurico Miranda, presidente do Vasco que foi filmado gritando com torcedores feridos no chão, foi um exemplo. O dirigente nunca foi levado ao ostracismo. Foi e voltou à presidência do clube. E viu o time ser rebaixado mais de uma vez.

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Tragédia em estádio também não faltou. Das brigas generalizadas às estruturas decadentes, teve de tudo. O pior momento, sete anos depois, foi em Salvador, com um rombo nas arquibancadas da Fonte Nova, com sete torcedores mortos.

Nem os tapetões foram evitados. Em 2013, 14 anos depois do caso Gama de 1999, o Flamengo se salvou do rebaixamento com a entrada de um jogador irregular da Portuguesa, em situação estranha que deixou claro para todos como o Campeonato Brasileiro não consegue se organizar para as coisas mais simples.

Na prática, as mudanças do futebol não tiveram nenhuma relação direta com a Copa João Havelange.

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No fia 30 de dezembro, final entre Vasco e São Caetano, pela Copa João Havelange, completa 20 anos.
Fonte: Reprodução
No fia 30 de dezembro, final entre Vasco e São Caetano, pela Copa João Havelange, completa 20 anos.
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No máximo, a implementação dos pontos corridos, em 2003. Muito pouco. Em 2000, foi o momento de criar uma ruptura e mudar profundamente o esporte no Brasil. Algo como o que fora realizado pela Inglaterra no fim dos anos 1980. Mas não foi o que aconteceu. As melhorias no país aconteceram de forma lenta e gradual e, 20 anos depois, questões básicas como a venda de direitos de televisão ainda são discutidas.

O modo conservador da gestão do futebol diz muito sobre o Brasil, um país que refuta grandes rupturas e vê mudanças radicais como um risco, como algo a ser evitado a qualquer custo. Um país que, em 2020, se recusou sistematicamente a tomar medidas mais drásticas mesmo em um cenário de pandemia, com quase 200 mil mortos. Isolamento e até mesmo uma profunda mobilização por uma vacina foram vistos como atitudes de extremismo, e não como um pragmatismo urgente. Aprendemos pouco, mas chegaremos lá.

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