Opinião

Opinião: Comparação mostra mercado esportivo totalmente diferente

por Duda Lopes
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Corinthians estreou o patrocínio da Neo Química em duelo contra o Red Bull Bragantino
Ag. Corinthians
Corinthians estreou o patrocínio da Neo Química em duelo contra o Red Bull Bragantino
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O cenário esportivo e econômico mudou tanto em dez anos que chega a ser desleal a comparação nos valores de patrocínio no futebol. Mas ela é necessária para primeiro entender essas diferenças e, depois, ter claro que os contratos atuais não estão aquém dos potenciais das equipes, mas sim dentro da realidade. A bolha existia havia dez anos, não hoje.

Essa diferença é essencial para ser entendida tanto pelos dirigentes, ludibriados com os antigos valores, tanto pelos torcedores, que costumam torcer o nariz quando os números são apresentados. Isso aconteceu com o próprio Corinthians, quando foi revelado que o acordo com o Bmg era de R$ 12 milhões, após duas temporadas sem qualquer marca no espaço mais valioso do uniforme.

De maneira geral, os patrocínios esportivos foram inflamados por um momento de alta acentuada na economia e pela mobilização do mercado para surfar na onda da Copa do Mundo. Depois, ainda veio a Caixa que manteve o cenário aquecido, com números que claramente estavam acima do que as outras marcas estavam dispostas a bancar.

A realidade é outra. A exceção do Palmeiras, que tem uma empresa que já declarou publicamente que paga mais do que vale pela propriedade, e o Flamengo, que conseguiu outra Estatal para arcar com as antigas quantias, os valores são mais baixos. A lembrar que o próprio Flamengo recebia R$ 15 milhões do BS2 até o ano passado, número bem próximo com os da Neo Química no Corinthians.

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O cenário agora é outro, inclusive com fornecedores de material esportivo. Saiu a expansão de marcas como a Nike para o domínio de marcas próprias de clubes. Sem contratos vantajosos, foi a solução encontrada por muitas equipes para conseguir receber mais.

Um bom exemplo do momento complicado é o Santos, que jogará uma final da Libertadores com um aporte pontual. O clube está há mais de duas temporadas sem um parceiro máster.

É necessário o entendimento óbvio de que o valor de propriedade está sempre alinhado ao que o mercado paga, e não ao quanto pagava ou a quanto o vendedor acha que vale.

O outro lado da moeda é que a entrega dos clubes está cada vez mais madura, como deve acontecer com Corinthians e Neo Química. E isso é algo ainda muito novo para todas as marcas no Brasil. A tendência é que, nos próximos anos, as empresas comecem a enxergar mais valores em um patrocínio no futebol em relação ao que elas viam há alguns anos. E, então, a valorização será natural e sustentável. Especialmente se o país mostrar algum fôlego na economia.

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