Opinião

Opinião: Clubes precisam ser mais abertos a parcerias com marcas

por Duda Lopes
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Diretor da Multimarcas afirma que marca exposta na camisa é 'pedágio caro' para poder entrar dentro de clubes
Divulgação
Diretor da Multimarcas afirma que marca exposta na camisa é 'pedágio caro' para poder entrar dentro de clubes
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O Atlético Mineiro terá um consórcio para os torcedores, em uma parceria com a Multimarcas, patrocinadora do clube desde 2020. A iniciativa, somada a algumas outras dentro do futebol brasileiro, mostra que cada vez mais as marcas têm interesse em usar o esporte como plataforma de negócios, para além da exposição. Mas a realidade ainda está longe do ideal.

Em conversa com a Máquina do Esporte, o diretor de marketing da Multimarcas, Fernando Lamounier, contou a dificuldade de entrar em uma equipe sem ser por meio de um patrocínio tradicional no mercado brasileiro, com um valor fixado por uma propriedade no uniforme.

Como passagens por clubes como Flamengo, Cruzeiro e Atlético, apenas agora a empresa apresentou um plano mais robusto de ativação. E, segundo o executivo, não é por falta de esforço da marca.

Segundo o executivo, a exposição ainda é a porta de entrada das empresas no futebol, que foca no ganho garantido para equilibrar as contas. Plano de negócio sem a marca na camisa é, normalmente, deixado em segundo plano.

Há alguns anos, um executivo de marketing do Corinthians falou à Máquina do Esporte, em ‘off’, que não adiantava oferecer parcerias ao mercado porque não havia o interesse. O clube tentava com frequência, mas sem sucesso. Se a marca não estivesse exposta, o mercado via pouco valor.

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Ao que parece, a condição das empresas tem mudado. Mas é preciso achar um ponto de equilíbrio entre o que as marcas buscam e o que os clubes oferecem. E com o pé na realidade. A aventura de alguns bancos digitais nos últimos anos deixou bem claro que não existe milagre, não existe negócio fácil. Ajustes são necessários.

Ter clubes de futebol como uma plataforma de comunicação e venda não é sonhar alto, é aplicar o que todo mercado desenvolvido entrega. O futebol já tem sentido na pele a desvalorização de seus patrocínios na camisa; é preciso uma mudança radical no modo como conduzir suas parcerias. E o caso da Multimarcas mostra que há, sim, abertura para isso.

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