Opinião

Opinião: Chegou a hora da experiência nos estádios

por Romulo Macedo, especial para a Máquina do Esporte
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Jogo do Miami Dolphins com espaço VIP para torcedores terem nova experiência no estádio
Divulgação/Christy Radecic
Jogo do Miami Dolphins com espaço VIP para torcedores terem nova experiência no estádio
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Com a expectativa da vacinação em massa, volta com força a pressão para reabertura de estádios e arenas pelo país. Clubes estão sentindo muita falta das receitas de bilheterias e muitos estão desesperados pelo retorno do público e sonham em, pelo menos, voltar a ter o mesmo nível de receitas que tinham antes da pandemia.

Mas será que o público voltará com força aos jogos de futebol pós-pandemia? Para respondermos essa pergunta devemos observar alguns fatores. Primeiramente analisar como era o comportamento do público antes da Covid-19. Os estádios já ficavam cheios e a presença de público era massiva? A resposta é absolutamente não, e aqui já temos o primeiro ponto de alerta.

Segundo levantamento do site ge.globo, em 2019, a Série A do Brasileirão teve uma ocupação médias dos estádios de 47%, Copa do Brasil, 41%, Série B de 21%, Série C de 19% e Série D de apenas 9%. Constatamos que o público já estava ausente nas principais competições nacionais da principal modalidade esportiva do Brasil.

Outro fator que merece toda atenção é a crise financeira que assolou quase todas as economias, do mundo em 2020. De acordo com cálculos do Instituto Locomotiva, a pandemia retirou R$ 247 bilhões de consumo da classe média brasileira, com o IBGE apontando para 14,1 milhões de desempregados no país.

Por último, mas não menos importante, temos que considerar que o outrora torcedor fanático assíduo nos estádios agora está há um ano sendo obrigado a assistir aos jogos no conforto da sua casa, onde a cerveja é liberada, o ambiente é agradável, o sofá é acolhedor, a comida é saborosa, seus filhos não ficam entediados por falta de opções de entretenimento, além de não precisar se deslocar, não estar sujeito a intempéries e muitos outros elementos que infelizmente tornam a ida a um estádio de futebol, no Brasil, uma verdadeira aventura.

Mesmo aqueles que estão saindo de casa e assistindo, quando permitido, aos jogos em bares e restaurantes, além de criarem rituais e amuletos e novas maneiras de interação, ainda estão desfrutando de experiências muito mais agradáveis do que as oferecidas na maioria dos estádios deste país.

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Em face de tudo exposto, o que fazer para atrair público para os estádios, em níveis maiores que antes da pandemia? O segredo é simples: começar a tratar os torcedores como consumidores. Aqui não estou falando de retirar a emoção e a paixão incutidas no torcedor de futebol, mas trazer boas práticas adotadas por grandes marcas para dentro do futebol. Como afirmou Tom McCann, Diretor de Operações e Experiência do Arsenal FC: “Agora, mais do que nunca, está se tornando imperativo fazer com que os clientes atuais se sintam valorizados e vejam valor no que você está se oferecendo.”

Chegou a hora da EXPERIÊNCIA.

Os clubes não podem mais confiar somente nos resultados esportivos para atrair público para os estádios. O consumidor moderno deseja ser reconhecido e ter as suas necessidades atendidas. O modelo de que uma experiência única serve para todos ficou para trás e já não funciona mais. Banheiros e assentos limpos são muito importantes para uma mãe ou pai de família que vai levar seus filhos ao estádio. A velocidade de atendimento nos bares e a qualidade da comida oferecida são de grande valor para o torcedor casual. A conectividade pesa para um adolescente decidir ir ou não a um jogo.

Os clubes e estádios precisam parar de conversar somente com quem já vai aos jogos, que já não lotavam os estádios, e criar ferramentas de diálogo também com outros públicos. Entender profundamente seus anseios e necessidades para criar experiências personalizadas e moráveis.

Foco no cliente, surpreender, encantar, jornada do consumidor, pontos de contato e muitas outras expressões e ferramentas habituais das grandes marcas devem urgentemente fazer parte dos vocabulários e dos costumes dos dirigentes esportivos. Essa grande mudança cultural somada à paixão pelo futebol será capaz de gerar enormes benefícios, fortalecer os laços entre o clube e sua torcida e trazer a alegria de vermos estádios cheios outra vez.

Romulo Macedo é Sócio-Fundador da Fan Experience 360 e escreve mensalmente na Máquina do Esporte

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