Opinião

Opinião: CBF vai mudar para manter nota 5

por Erich Beting
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A queda de Rogério Caboclo da presidência da CBF é, mais uma vez, uma oportunidade que se abre para o futebol brasileiro realmente trabalhar para uma mudança em suas estruturas. Desde que a antiga Confederação Brasileira de Desportos foi transformada em Confederação Brasileira de Futebol há 42 anos, oito pessoas já se sentaram na cadeira de presidente da entidade. Nos últimos 32 anos, apenas cinco homens ostentaram o cargo máximo do futebol brasileiro. Desses, três foram acusados de corrupção, sendo que um deles está preso, um acaba de ser afastado por denúncias de assédios moral e sexual, e a quinta figura é quem deve retornar como presidente-tampão, mas sem qualquer poder de fato, que é o Coronel Nunes.

Em 2015, quando José Maria Marin foi para a Suíça por conta de uma reunião da Fifa para não mais voltar, a CBF teve a sua primeira chance de grande mudança desde o fim da era Ricardo Teixeira. A entrada de Marco Polo Del Nero apenas seguiu o fluxo que já vinha sendo armado desde 2013.

Em 2017, quando a Fifa forçou o afastamento de Del Nero, começou a existir finalmente uma séria possibilidade de começar a mudar algo nas estruturas. Tudo seguiu como antes, primeiro com o Coronel de fachada (des)mandando na entidade e, na sequência, com Rogério Caboclo e a pretensa modernidade trazida pela contratação de consultorias caras que não mudaram a essência do negócio.

Desde os 7 a 1, existe uma falsa impressão de mudança no futebol brasileiro. Com a desculpa de que qualquer alteração é lenta, deixa-se tudo como está, dando apenas a roupagem de moderno com estudos e levantamentos assinados por empresas multinacionais de renome, mas que, na prática, não atacam a essência dos problemas e ajudam a manter tudo como está.

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Graças ao estouro do dólar, a CBF faturou como nunca nos últimos três anos, mas o futebol brasileiro caminhou como sempre. Para o lado, confiando no sucesso dentro de campo para manter o status dentro dele.

A pandemia apenas escancarou a mediocridade que impera no nosso futebol. Acostumamo-nos a sermos nota 5, quando os recursos intelectuais e até mesmo estruturais nos permitiriam almejar, no mínimo, uma nota 8. O problema é que, para isso acontecer, muita gente não passaria de ano, e aí acaba sendo melhor manter tudo como está, pintar a fachada do prédio com uma cor nova e manter os móveis surrados de sempre lá dentro.

Pela terceira vez desde os 7 a 1, temos a oportunidade de fato de mudar o futebol no país. O problema é que, pela terceira vez, não temos lideranças preparadas e comprometidas com a mudança. O Coronel Nunes está aí para ocupar a cadeira nos próximos meses de novo. Depois, a partir do ano que vem, mais um dos alunos da “turma do fundão” de sempre assumirá o leme do futebol brasileiro.

A nota 5 continuará a ser a média mínima exigida para passar de ano. 

Até quando?

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Rogério Caboclo foi afastado da presidência da CBF
Divulgação/CBF
Rogério Caboclo foi afastado da presidência da CBF
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