Opinião

Opinião: Brady, Doncic, Mickey... e Willy Wonka!

por Samy Vaisman - Especial para a Máquina do Esporte
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Sempre fui um apaixonado por esportes, herança do meu pai que acabou me levando ao jornalismo. Dessa paixão, surgiu o hobby do colecionismo, de reunir itens de esportes como camisas, moedas, bonecos, bolas e medalhas, que acabam se acumulando entre gavetas, prateleiras, caixas, mesa de trabalho e onde mais houver um espacinho...

Nunca fui de fazer extravagâncias na compra de uma peça para a minha coleção. Mentira. Duas ou três vezes eu fui ‘além do meu limite’, mas só um pouquinho. E valeu a pena. Só que esse meio de colecionadores não é para amadores como eu, especialmente quando se trata de memorabília...

Para quem não é familiarizado com o termo, memorabília remete a peças que podem ser únicas, itens históricos ou exclusivos, de séries numeradas, autografados, com selos e/ou certificados de autenticidade. Combinando história e significados, esse tipo de objeto pode alcançar cifras impressionantes.

Impressionantes, para não falar em irreais, absurdas...

E esse objeto pode ser ‘qualquer coisa’: um taco de beisebol, uma camisa, uma luva, uma bola, um carro de corrida, um card. Qualquer item do universo esportivo que possua características bem especiais, que carregue memórias, que ajude a contar uma história, é uma memorabília. E não existe crise para esse mercado.

Há alguns dias, Tom Brady foi protagonista de mais um recorde sem nem precisar entrar em campo para isso. Um card do ‘Giselo’ de série limitada de rookies (calouros), datado do ano 2000, foi vendido por US$ 2,25 milhões (cerca de R$ 13 milhões) pela casa de leilões Leland Auctions (New Jersey).

O card é raríssimo (um dos 100 que foram produzidos), traz um autógrafo manual de Brady e supera o valor do até então card mais valioso do quarterback, que havia sido vendido por R$ 7,5 milhões em fevereiro deste ano.

A venda do card mostra a força do mercado de memorabília de itens esportivos, que apresenta uma combinação entre valores financeiros e sentimentais capaz de fazer com que peças de coleção virem pequenas (ou enormes) fortunas.

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Nos Estados Unidos, o mercado de colecionáveis autênticos ou limitados movimenta estimados US$ 5,4 bilhões por ano. Sim, bilhões. E isso apenas considerando ‘números oficiais’, uma vez que 50% dos itens que são oferecidos como memorabília, como originais e/ou raros, não passam de réplicas muito bem feitas.

Mas se você se assustou com o valor do card de Brady, saiba que ele está bem longe do valor pago por um card de Luka Doncic, jovem astro do Dallas Mavericks, que chegou na NBA há menos de três anos. Lembra das cifras ‘impressionantes, irreais e absurdas’?

O colecionador Nick Fiorella Jr., um bem-sucedido empresário do ramo de seguros da Flórida, desembolsou US$ 4,6 milhões (cerca de R$ 26 milhões) pelo card exclusivo (sim, único no mundo) do esloveno que foi comercializado em um box especial lançado pela Panini em 2018 em arremate on-line na casa Layton Sports há poucas semanas. Em tempo: em seu terceiro ano de contrato, o salário anual de Doncic nos Mavs é de US$ 8 milhões.

O card traz o logoman (símbolo da NBA) retirado de uma camisa usada por Doncic, além de sua assinatura e uma citação curiosa no verso: "If I dunk on LeBron (James), I can retire" (Se eu enterrar sobre LeBron James, posso me aposentar).

E esse nem é o card de esportes mais valioso da história. O card de Mickey Mantle (Topps), hall of famer do beisebol, astro dos Yankees, foi vendido por US$ 5,2 milhões em janeiro deste ano (algo próximo de R$ 30 milhões).

E eu que cresci achando que valioso era o bilhete dourado do Willy Wonka...


Samy Vaisman é jornalista, sócio-diretor da MPC Rio Comunicação (@mpcriocom) e co-fundador da Memorabília do Esporte (@memorabiliadoesporte)

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Card de Luka Doncic, jovem astro do Dallas Mavericks, foi vendido por US$ 4,6 milhões de dólares
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