Opinião

Opinião: A memorabília mais cara (e importante) da história dos Jogos Olímpicos

por Samy Vaisman, especial para a Máquina do Esporte
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Manuscrito de Pierre de Coubertin apresentado na Universidade de Sorbonne (Paris) é a "pedra fundamental" dos Jogos Olímpicos
Reprodução
Manuscrito de Pierre de Coubertin apresentado na Universidade de Sorbonne (Paris) é a "pedra fundamental" dos Jogos Olímpicos
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"Faltam 51 dias para os Jogos Olímpicos de Tóquio". É engraçado, mas não consigo ver ou ouvir uma regressiva para as Olimpíadas sem lembrar da voz de Álvaro José, referência que sempre tive no jornalismo. Estamos perto do início dos Jogos do Japão e cercados de sentimentos que não combinam muito com a expectativa habitual de quem espera quatro anos (este ano, excepcionalmente, cinco) pelo evento.

Incertezas, inseguranças e ansiedade se misturaram de um jeito estranho em razão do cenário da pandemia. Não vou entrar no mérito sobre a realização das Olimpíadas. Há quem defenda, há quem critique e peça o cancelamento... Cada um com seus argumentos, cada um com suas razões.

Quando falamos de Olimpíadas, naturalmente lembramos dos heróis, de momentos épicos, de emoções e das medalhas de ouro. Mas é preciso voltar quase 130 anos no tempo para lembrar daquele que é o item mais importante da história olímpica. Aquele que é a mais especial das memorabílias olímpicas.

Em 1892, o francês Pierre de Coubertin fez uma apresentação na Universidade de Sorbonne (Paris) e apresentou um manuscrito de 14 páginas e mais de 5 mil palavras. Mal sabia ele que aquele documento seria a ‘pedra fundamental’ dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Dois anos depois, Coubertin fundou o Comitê Olímpico Internacional (COI).

Era o ‘Manifesto dos Jogos Olímpicos’ que deu origem à primeira edição em Atenas (Grécia), em 1896. Hoje é possível ver de perto o ‘Manifesto’ original no museu do COI, em Lausanne (Suíça). Mas nem sempre foi assim. Isso só foi possível depois de uma doação feita no início do ano passado.

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O ‘Manifesto’ só ‘voltou para casa’ após um leilão na famosa casa londrina Sotheby’s, em dezembro de 2019. A mais importante memorabília do movimento olimpico não era vista publicamente desde 2009, quando esteve em exposição durante o Congresso Olímpico em Copenhagen (Dinamarca).

Antes do leilão, especialistas estimavam a venda do manuscrito por cifras próximas de US$ 1 milhão. Coubertin fez história mais uma vez. Depois de 12 minutos de lances frenéticos que decidiram o futuro do ‘Manifesto’, Alisher Usmanov, dono de uma das 100 maiores fortunas do mundo, arrematou a peça por mais de 8,8 milhões de euros (cerca de R$ 55,5 milhões no câmbio de hoje).

Usmanov é presidente da Federação Internacional de Esgrima. Dois meses depois de adquirir o ‘Manifesto’, o russo anunciou a doação para o museu do COI.

Medalha Barão de Coubertin

São 125 anos de história olímpica e apenas 21 personalidades receberam a ‘Medalha Barão de Coubertin’, honraria concedida pelo COI aos que demonstram espírito olímpico e alto grau de esportividade, honrando os preceitos do olimpismo (amizade, compreensão mútua, igualdade, solidariedade e o ‘fair play’).

Apenas um latino recebeu a medalha até hoje: Vanderlei Cordeiro de Lima, que conquistou a medalha de bronze na maratona em Atenas-2004, mesmo após ter sua prova atrapalhada ao ser atacado pelo ex-sacerdote irlandês Cornelius Horan.

Samy Vaisman é jornalista, sócio-diretor da MPC Rio Comunicação (@mpcriocom), co-fundador da Memorabília do Esporte (@memorabiliadoesporte) e escreve mensalmente na Máquina do Esporte. Interaja com o colunista no LinkedIn

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