Opinião

Opinião: A concessão de áreas públicas para o esporte e a iniciativa privada

por Rosana Fortes, especial para a Máquina do Esporte
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A Ciclovia da Marginal Pinheiros, em São Paulo, antes da revitalização do espaço
Divulgação
A Ciclovia da Marginal Pinheiros, em São Paulo, antes da revitalização do espaço
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Quem nunca voltou de uma viagem internacional impressionado com os incríveis espaços públicos para prática de esporte que alguns países oferecem? O Hyde Park em Londres, a ciclovia no litoral de Barcelona (do Port Olímpic até a Platja Levant), o Golden Gate Park em São Francisco e (claro) o Central Park em Nova York não poderiam ficar de fora dessa shortlist. Locais bem conservados, limpos e com excelente sinalização para ciclistas, corredores e caminhantes.

Por aqui, vemos um movimento animador com o surgimento de novos locais e a reforma de velhos conhecidos, agora com gestões da iniciativa privada. Nada mais inteligente do que os governos e prefeituras delegarem a empresas especializadas toda a responsabilidade de manutenção e recuperação da infraestrutura desses espaços públicos, assim como a captação de novos recursos de empresas interessadas.

Exemplos recentes na cidade de São Paulo são o Parque do Ibirapuera, a Ciclovia da Marginal Pinheiros e o Parque Bruno Covas, este último com previsão de inauguração para dezembro deste ano.

O Ibirapuera, com a nova gestão da Urbia, conta agora com boas opções de restaurantes e lanchonetes, banheiros limpos, revitalização do Planetário, serviço de locação de bicicletas e instalação de novos sistemas de segurança. E os planos para os próximos meses continuam com wi-fi gratuito no parque e reforma das quadras e das marquises. Muitas destas novidades só são possíveis graças a cotas de patrocínios de marcas que buscam uma aproximação com o público frequentador.

A Ciclovia da Marginal Pinheiros é um belíssimo exemplo de nova ocupação pós-concessão para a empresa Farah Service, hoje responsável pela revitalização, manutenção, limpeza e toda jardinagem do local com 21,5 km de ciclofaixa. Desde o início do projeto, seis pontos de apoio ao ciclista foram instalados, todo o asfalto foi recapeado e pintado, há uma nova sinalização de quilometragem em toda a via, a segurança foi reforçada com a instalação de novas guaritas e câmeras, e existem ótimas opções para um café pós-pedal. Sou frequentadora do espaço e fico muito impressionada cada vez que passo pelo trecho Vila Olímpia - Ponte Estaiada e deparo com um jardim impecável às margens do Rio Pinheiros, digno de uma parada para foto.

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A Ciclovia depois da revitalização promovida pela empresa Farah Service
Divulgação
A Ciclovia depois da revitalização promovida pela empresa Farah Service
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A comunidade ciclista também parece estar gostando do novo espaço. No mês de julho, o número de frequentadores já ultrapassou a marca dos 100 mil ciclistas, o que é mais do que o dobro do que era registrado há exatamente um ano atrás.

Na semana passada, durante uma visita guiada ao novo/futuro Parque Bruno Covas, fiquei impressionadíssima com o projeto que promete ser um novo e desejado espaço para o esporte na cidade. Diferente da Ciclovia, localizada no lado oposto do Rio Pinheiros onde só é permitida a entrada de bicicleta, o Parque contará também com pistas dedicadas à corrida e à caminhada, quadras poliesportivas e locais para atividades como aulas de alongamento e ioga.

Ao mesmo tempo em que espaços públicos estão sendo reestruturados e novos lugares surgem com o apoio da iniciativa privada, existe um debate paralelo e importante sobre o excesso de marcas nesses espaços privatizados. É fundamental que as empresas que ganham as concessões de exploração contem com marcas parceiras para obterem recursos financeiros para as melhorias. Projetos audaciosos como esses três exemplos não seriam possíveis sem as grandes marcas e suas cotas, mas o bom senso precisa prevalecer, assim como a opinião da comunidade frequentadora dos espaços.

Rosana Fortes é country manager do Strava no Brasil e escreve mensalmente na Máquina do Esporte.

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