Opinião

NWB mostra força da mídia para falar com o consumidor

por Erich Beting
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Uma das principais transformações do negócio da mídia nos últimos anos foi a percepção de que ela é um bem valioso demais para ser desprezado pelas empresas. E meio à revolução trazida pelas mídias sociais, que encurtou a distância entre cliente e marca, a mídia passou de algo sem validade para ser um diferencial competitivo para as empresas.


Por mais contato e negócios que sejam feitos de forma direta entre marcas e consumidores por meio das redes sociais, o engajamento das pessoas passa, necessariamente, por um intermediário, que é a mídia. Especialmente no esporte, em que a paixão do torcedor é fonte de consumo, o vínculo do fã com a mídia passa a ser um material bem eficiente para ser convertido em vendas.

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É em busca dessa capacidade de retenção da atenção do fã de esporte que o grupo SBF comprou a NWB. Por mais que milhões de pessoas acessem o e-commerce da Centauro diariamente, e outros tantos milhões desejem a Nike, nenhuma das duas marcas conversam com os fãs do esporte com a mesma propriedade que o grupo de mídia consegue.


Curiosamente, na época em que as marcas têm à disposição diversos atalhos para ir até o consumidor, a mídia ganha um papel preponderante por ser o caminho tradicional, porém eficiente para isso.

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Fred, dos Desimpedidos, em ação com Cristiano Ronaldo e Marta
Fonte: Reprodução
Fred, dos Desimpedidos, em ação com Cristiano Ronaldo e Marta
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Esse processo de olhar a mídia como uma mina de ouro a ser mais bem explorada pelo big data começou há quase 8 anos, quando Jeff Bezos, o fundador da Amazon, comprou o espólio do Washington Post. No Brasil, o movimento começou no ano passado, quando o banco BTG Pactual anunciou a compra da revista Exame, transformando-a numa máquina de conversa com potenciais investidores dos fundos administrados pelo banco de André Esteves. Em agosto deste ano, o Magazine Luiza anunciou as compras do CanalTech e da Inloco Media, abrindo ainda mais os olhos do varejo para esse tipo de ação.


Dentro desse cenário, a compra da NWB por parte da SBF faz todo o sentido dentro do plano do grupo de se tornar referência no comércio varejista. E, para a empresa de mídia, representa o suporte que falta a todos nós no processamento e uso do big data em favor do crescimento do negócio.


A mídia tem enorme força no consumo. Não saber direito esse potencial é o maior problema que os veículos têm para serem mais sustentáveis.

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