Opinião

Liga de surfe sabe que tem de 'superar' Gabriel Medina

por Erich Beting
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Gabriel Medina conseguiu passar incólume à crise do coronavírus. A assinatura de um novo patrocínio com a Espaçolaser há poucos dias, o piscar de olhos na campanha do Bradesco para o Pix e o anúncio da renovação por mais cinco anos do contrato com a Ripcurl mostram que Medina alcançou um status que faz sua imagem superar qualquer crise.

No mesmo dia em que Medina recomeça a disputa por mais um título mundial no Havaí, a World Surf League coloca em ação sua loja virtual exclusiva do mercado brasileiro. As duas ações, isoladamente, parecem não querer dizer muita coisa. Mas, no contexto em que ocorrem, elas são fundamentais.

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Para que a WSL prospere no Brasil, o surfe não pode ter Medina como o único motivo de interesse do público, da mídia e do anunciante. Sim, ele é o maior ícone da "Brazilian Storm". Mas, para o surfe ter longevidade, ele precisa se posicionar acima do surfista brasileiro.


Durante a pandemia, da mesma forma que Medina soube usar as redes sociais para manter seu faturamento em alta, a WSL manteve firme o trabalho para que o público seguisse engajado e o surfe se mostrasse como um meio de vida para muita gente. Até mesmo quem não surfa.


O lançamento da loja oficial da WSL é mais uma forma de a marca da liga estar presente no cotidiano do brasileiro. Comprar produtos oficiais, ter pontos diferentes de contato com a disputa e ser atendido para além do dia do evento são algumas premissas básicas a qualquer esporte, mas raramente executadas.

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Hoje, WSL, NBA e UFC colocam-se num patamar muito acima de qualquer outra entidade esportiva no trabalho de construção de marca para o fã. Não por acaso, as três ligas são as que têm escritórios em funcionamento no Brasil. Não por acaso, também, são competições que entendem que não podem depender tanto do ídolo para serem atrativas ao torcedor brasileiro. 


Há 20 anos, Guga "sugou" o tênis do país ao ser maior do que a modalidade. Foi um processo similar ao que aconteceu pouco depois no futsal de Falcão. O ídolo é fundamental para fazer crescer o esporte. A partir do momento em que ele se torna a única alternativa para marcas e mídia, porém, ele passa a ser também quem vai impedir um crescimento maior da modalidade.


A WSL entendeu que Gabriel Medina é importante. Mas não pode ser o único motivo para que tenhamos interesse em consumir o surfe. Ainda bem!

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