Opinião

Disney dá aula sobre venda no streaming

por Erich Beting
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O lançamento do serviço de streaming Disney+ no Brasil é um divisor de águas na forma como vínhamos pensando a venda de conteúdo no meio digital. A proposta de comercialização é uma aula do que fazer com o streaming e mostra que já chegamos no futuro.


B2B, B2C, B2B2C. Usemos as letras e números que quisermos, o fato é que a Disney está mostrando ao mercado que o consumidor está com tanta oferta de plataformas no mercado que é importante ter uma estratégia ampla de distribuição do conteúdo. E o que isso tem a ver com esporte?


Absolutamente tudo. Se o esporte quiser realmente se tornar menos dependente da TV e partir para uma estratégia própria de distribuição de conteúdo ao torcedor, ele precisa estar preparado para entrar num novo negócio.

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Disney dá aula sobre venda no streaming
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A ruptura com o tradicional modelo de negócios da mídia, em que o único a correr risco é o veículo que compra os direitos de transmissão, requer uma atenção redobrada do esporte. Porque ele significa ter de se buscar um caminho completamente novo e indefinido.


É por isso que a Disney dá uma aula para o mercado. Por mais bom conteúdo que exista dentro da sua plataforma, a empresa se associou até a um potencial concorrente, o serviço Globoplay, para alcançar o máximo possível de consumidores. Da mesma forma, uniu-se a operadoras de telefonia como Vivo e Claro e criou o próprio sistema de venda.


Não adianta o esporte achar que criar uma plataforma própria é o caminho para ganhar mais da TV. Muito pelo contrário. É preciso um enorme trabalho para fazer com que esse conteúdo seja acessível ao consumidor. Para entender isso, basta pensarmos com a cabeça de um consumidor de streaming.

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A conta está ficando cada vez maior e, pior ainda, está cada vez mais complicado ter de encontrar tanto conteúdo em diferentes provedores do serviço.


O caminho é agregar. A Disney e a própria Globo mostram claramente que esse é o futuro do streaming. Distribuir o conteúdo com diferentes parceiros, ganhando um pouco menos na venda avulsa e faturando mais no todo.


Até agora, o que vimos dentro do esporte brasileiro foram tentativas próprias de criar um serviço e distribuí-lo ao torcedor sem passar por intermediários. O mercado mostra que esse é o caminho mais difícil. Resta saber se o esporte terá a humildade em saber o que precisa fazer para o negócio decolar.

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