Opinião

A ida aos estádios no pós-COVID

por Felipe Ribbe
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O esporte, em geral, tem bastante dificuldade para planejar o futuro. Porém, se a pandemia teve grande impacto em orçamentos, o pós-COVID também terá enormes desafios, que pouco estão sendo comentados por aqui.

Bilheteria e sócio torcedor são fundamentais nas receitas dos principais clubes do país, mas quando a volta de torcedores aos estádios for autorizada, de que maneira estes clubes estão se preparando para recebê-los? Fora do país, soluções que evitam ou reduzem o contato físico já eram tendências antes da pandemia; agora tornaram-se fundamentais.

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O primeiro ponto de contato do torcedor é na entrada. O uso de ingressos digitais em smartphones, seja por código de barras, QR codes e aplicativos não é novidade. Outras soluções são as pulseiras NFC (que também servem para pagamentos) e reconhecimento facial, cuja aplicação vem ganhando espaço.

Dentro do estádio, meios digitais para compras serão cada vez mais comuns. Pesquisa da Kantar com a MasterCard realizada no Brasil mostrou que, durante a pandemia, 75% das pessoas aumentaram o uso de pagamentos digitais devido ao distanciamento social. Nos EUA, alguns locais não aceitarão mais dinheiro físico, inclusive. Haverá “caixas eletrônicos inversos” espalhados, onde aqueles com notas poderão troca-las por cartões pré-pagos. Essa mudança reduz consideravelmente o tempo das transações, o que diminui o tamanho de filas e, comprovadamente, aumenta o ticket médio do torcedor.

Há ainda soluções interessantes, como fazer pedidos via aplicativo e só retirar os produtos em quiosques determinados ou até recebe-los no próprio assento. Também por um app há empresas capazes de informar em tempo real o tempo de espera em filas para comida/bebidas ou banheiros pelo estádio, permitindo que o torcedor escolha a melhor opção.

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O objetivo é sempre evitar aglomerações. Mesmo após o relaxamento de medidas de distanciamento, muitas regras sociais devem mudar para sempre e é necessário estar pronto para receber seus torcedores de maneira que eles se sintam seguros. Além do mais, se investir na melhoria da experiência já era tendência, o COVID só acelerou o processo.

Grande parte do que escrevi, no entanto, depende de internet. Quantas vezes você foi a um estádio e não conseguiu carregar uma simples mensagem de Whatsapp? Portanto, se seus torcedores ainda têm dificuldades para se conectar, comece por aí. Acredite, isto é o básico.

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