Futebol

Shakhtar Donetsk cria PPV para transmitir jogos no Brasil

por Erich Beting
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Duelo entre Shaktar e Dínamo Kiev terá transmissão paga pela plataforma de streaming do Shaktar
Divulgação
Duelo entre Shaktar e Dínamo Kiev terá transmissão paga pela plataforma de streaming do Shaktar
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O Shakhtar Donetsk, um dos principais times da Ucrânia, lança neste sábado (17) um serviço inédito para o público brasileiro. Pela primeira vez na história, será possível para o torcedor comprar para assistir às partidas do time ucraniano no campeonato nacional do país.

O lançamento da plataforma de streaming própria faz parte de um novo plano de internacionalização do time ucraniano. O jogo de estreia do serviço é o clássico contra o Dínamo Kiev, equipe tradicional do país. O clássico local é visto como motivo para atrair o fã brasileiro a pagar US$ 3 (cerca de R$ 16) para acompanhar o jogo no streaming, com transmissão em português.

“Escolhemos o Brasil porque mais de 30% de nossos fãs estão no Brasil, temos muitos jogadores brasileiros, grandes talentos, e temos um canal próprio de mídia social, então estamos tentando engajá-los para o projeto e assim engajar a nossa audiência para comprar o PPV”, afirmou Alexander Mamalyha, diretor de marketing do Shakhtar, em entrevista exclusiva à Máquina do Esporte.

Confira abaixo a entrevista completa com o executivo e entenda os motivos que levaram o Shakhtar a investir numa plataforma global de streaming para superar as adversidades causadas pela pandemia do coronavírus.

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Máquina do Esporte: Por que a decisão de lançar a plataforma de OTT e por que o Brasil?

Alexander Mamalyha: Por conta da pandemia, passamos a buscar caminhos que nos permitiriam aumentar nossa receita, monetizar com os fãs e ter uma receita adicional com streaming. No meio do verão passado, começamos o projeto de desenvolver uma plataforma própria de OTT, e o pay-per-view dos jogos é algo que vamos começar a fazer globalmente com o jogo de sábado contra o Dínamo de Kiev. Escolhemos o Brasil porque mais de 30% de nossos fãs estão no Brasil, temos muitos jogadores brasileiros, grandes talentos, e temos um canal próprio de mídia social, então estamos tentando engajá-los para o projeto e assim engajar a nossa audiência para comprar o PPV. Como temos muito jogadores brasileiros, existe um interesse natural em acompanhá-los. Isso é uma parte do negócio. A outra, claro, é o engajamento do fã.

ME: Quantas pessoas vocês pretendem alcançar com essa iniciativa?

AM: Não temos nenhum número em mente. Vamos ver como será essa primeira experiência para então começarmos a traçar uma estratégia para a próxima temporada e as seguintes. Temos desenvolvido landing page para a ação, buscado cadastros, queremos entender o tempo que o torcedor consome a plataforma. Esses serão nossos pontos de referência nesse primeiro momento. Saber quantas pessoas assistiram ao jogo, claro, mas também quantas foram à landing page, ao site e mostraram um interesse geral em consumir nosso time.

ME: Mais do que fazer dinheiro, é um jeito de entender melhor quem é o fã no Brasil?

AM: Claro. Nós temos uma ótima relação com o Brasil, mas também queremos que o público saiba mais sobre o clube, nos conheça melhor.

ME: Como a plataforma ajuda na internacionalização da marca?

AM: Isso é algo novo. A pandemia nos forçou a buscarmos novos públicos, ao mesmo tempo que nos permitiu acesso a novos públicos, já que é possível levar o time para elas digitalmente, sem precisar de um jogo ou um evento. Isso nos levou a novos fãs, o que nos exige explicar qual a nossa história, explicar o que fazemos, por que temos aqueles jogadores... Isso é algo que estamos tentando fazer e mostrar nessa próxima temporada e para a frente.

ME: Como mostrar que o Shakhtar é mais do que o clube dos brasileiros?

AM: Nós não jogamos em nosso estádio, em Donetsk, há sete anos, por conta da situação separatista da Ucrânia. Mas, apesar disso, continuamos a ter boa performance não só localmente, mas na Europa. No ano passado jogamos duas vezes com o Real Madrid e ganhamos os dois jogos. Basicamente é essa história que queremos contar, algo que nenhum outro clube no mundo, que vive na nossa situação, tem.

ME: Como o Shakhtar tenta expandir seus negócios para o exterior?

AM: Essa transmissão é um grande teste para a gente, para entender como o torcedor se comporta. Com os números em mãos, poderemos descobrir quais as cidades que eles vivem, o tempo que passam na plataforma, de quais países... Baseado nisso, vamos montar uma estratégia para nos aproximarmos de cada mercado a partir do próximo ano. O mais importante é que temos de encontrar um caminho para entregar valor para o nosso torcedor. Não é só pagar para ver um jogo, mas comprar algo mais que o clube pode oferecer para ele, como encontro com jogadores, compra de merchandisings e outros produtos que podemos colocar dentro da plataforma de OTT.

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ME: Você acredita que esse é o futuro dos clubes? Serem os donos do conteúdo e da mídia para falar com os torcedores?

AM: Sem dúvida. Nós começamos, há cerca um ano, a produzir conteúdo por conta própria. Há dez meses, começamos a produzir conteúdos diferentes para desenvolver a plataforma de OTT e serem entregues de formas diferentes para a nossa audiência. Isso é algo que vem crescendo cada vez mais e que nos permitirá produzir produtos específicos e mensagens específicas para diferentes públicos.

ME: Como o coronavírus mudou o negócio para o Shakhtar e para a indústria?

AM: Essa é uma grande questão. Nós estamos lançando a plataforma de pay-per-view porque a nossa federação não consegue monetizar com direitos de transmissão pelo mundo. Nós pedimos para eles para tentarmos, e eles disseram que poderíamos. Nossas principais fontes de receita são a bilheteria e os patrocínios. Com a pandemia, a receita de bilheteria acabou. A gente não tinha muito público nos estádios porque jogamos em Kiev e o time é de Donetsk. No começo praticamente não ia torcedor aos jogos, eram cerca de 400 pessoas por jogo. Na última temporada tivemos alguns milhares de torcedores por partida. Então basicamente isso acabou. Então começamos a fazer algumas ações virtualmente com os jogadores para engajar os torcedores e os patrocinadores. O que acontece é que os torcedores estão envelhecendo. A audiência jovem atualmente tem várias opções. Competimos com o Playstation, o Netflix. Isso é complicado, porque essas plataformas podem fazer novos lançamentos a cada mês, e nós não temos essa agilidade. Com a plataforma de OTT, nós esperamos conseguir essa agilidade para trazer algo novo, criar algo diferente rapidamente para o torcedor.

Outro ponto importante são os patrocinadores. Obviamente eles esperam que os estádios voltem a encher, mas temos de trazer valor para o patrocinador enquanto os estádios não voltam a receber público. Temos de pensar em estratégias para eles que vão além do encontro presencial, oferecer encontros com os fãs, produtos para eles... Basicamente foi isso que a pandemia nos obrigou a reinventar e a trazer de diferente para o mercado.

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