Futebol

Opinião: Palmeiras e Botafogo mostram caminhos para futebol brasileiro

por Redação
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O Botafogo foi, pela terceira vez neste século, rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro. Um triste destino que um rival de São Paulo, o Palmeiras, quase enfrentou em 2014. Hoje, a equipe é campeã da Libertadores. Há uma série de diferenças entre as duas agremiações, entre presença de patrocinadores e número de torcedores, mas há um pilar fundamental que poderia ter diminuído a distância: formação de jogadores.

Em julho de 2020, o dirigente do Botafogo Carlos Augusto Montenegro deu uma curiosa resposta ao jornalista Bernardo Ramos, da Bandeirantes. Indagado se não era melhor pagar os salários dos jogadores do que de fazer novas contratações, o botafoguense respondeu que não. Futebol não dava para “fazer tudo bonitinho”, como pagar salários e competir com os atletas disponíveis.

A resposta infame teve um rápido resultado, com um rebaixamento a quatro rodadas para o fim do Brasileirão, com uma clara apatia dos atletas em campo. Como poderia ser diferente se a direção do time tem tamanho desprezo com o profissionalismo? No futebol, não só dá para fazer “tudo bonitinho”, como é extremamente necessário.

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Botafogo perdeu para o Sport e foi rebaixado à Série B mais uma vez (Foto: Vitor Silva/Botafogo)
Botafogo perdeu para o Sport e foi rebaixado à Série B mais uma vez (Foto: Vitor Silva/Botafogo)
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Como, então, ser grande com recursos limitados em curto prazo? A resposta veio de uma estranha fonte: o Palmeiras, o time que disputa ano a ano o posto de mais rico do país com o Flamengo.

O Palmeiras de Crefisa muito investiu em atletas nos últimos anos. Com receita alta, os salários ficaram em dia, mas os resultados esportivos nem sempre estiveram dentro da expectativa. A solução veio em longo prazo, com o ápice nesta temporada com o título da Libertadores. O clube passou a pensar mais em formar atleta do que comprar.

Nomes como Gabriel Menino, Patrick de Paula e Gabriel Veron surgiram após investimentos de mais de R$ 100 milhões na base, o que inclui toda uma mudança de metodologia na formação de atletas. O resultado foi jogadores jovens e bem-preparados. E, agora, campeões.

Toda vez que um time brasileiro vai ao mercado para comprar jogadores, ele estará em inferioridade financeira frente às maiores ligas da Europa, ao leste europeu, à China, ao mundo árabe e a qualquer outro time aventureiro pelo mundo. O que sobra dificilmente está em alto nível. Quando o time investe na base, o jogo é invertido.

Claro que o Botafogo não poderá fazer como o Palmeiras, com investimento de milhões de reais e retorno em menos de cinco anos. Mas se quiser voltar a ser grande, vai precisar olhar para si mesmo e repensar a estratégia de Kalou, Honda e companhia. E isso vale para a grandíssima maioria das equipes do Brasil.

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