Futebol

Neo Química volta pagando metade ao Corinthians, mas amplia retorno

por Duda Lopes
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O lateral-direito Fagner e o goleiro Cássio apresentam a nova camisa do Corinthians, com patrocínio da Neo Química
Rodrigo Coca / Ag. Corinthians
O lateral-direito Fagner e o goleiro Cássio apresentam a nova camisa do Corinthians, com patrocínio da Neo Química
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O Corinthians oficializou o retorno da Neo Química como patrocinadora máster do clube após dez anos. De “dona” da camisa em 2010 e 2011, a empresa passou a ter a principal propriedade do uniforme em 2021, além do nome do estádio do clube, a Neo Química Arena. Mas, mesmo com mais entregas por parte da equipe, os valores caíram praticamente pela metade, numa clara mostra de mudança do mercado esportivo na última década.

Em 2010, por diversas propriedades do uniforme, entre elas o máster e as costas, a então Hypermarcas, antigo nome da Hypera Pharma, pagou R$ 38 milhões por ano. Com a correção dos valores de inflação, a considerar o índice IPCA (IBGE), a quantia equivalente seria de R$ 70 milhões atualmente.

Hoje, esse valor seria próximo apenas ao que a Crefisa paga ao Palmeiras (R$ 81 milhões ao ano) pela exclusividade de todas as propriedades do uniforme. A diferença estaria na barra da camisa, que “completaria” esse valor. Em 2010, o Corinthians tinha o banco PanAmericano na propriedade. Em 2011, a Fisk substituiu a empresa.

Os novos termos da parceira com a Neo Química apresentam números próximos da metade do alcançado na virada da década de 2000 para 2010. Com a soma de patrocínio máster e naming rights, a Hypera Pharma investe hoje cerca de R$ 33 milhões anuais ao clube, além de possíveis premiações.

A entrega, por outro lado, é consideravelmente maior.

Apesar de não ter os mesmos espaços no uniforme, a Hypera Pharma mantém o principal: a frente da camisa. Segundo o Ibope Repucom, a propriedade máster leva 22% da exposição das marcas em um uniforme, que curiosamente representaria R$ 15 milhões dos R$ 70 milhões investidos em 2010.

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A conta, por outro lado, não é tão simples. O levamento considera nove propriedades do uniforme, entre elas espaços que o grupo farmacêutico não possuía em 2010, como a barra traseira da camisa (7%) e o material esportivo (14%). Dessa forma, é possível cravar que a companhia paga menos hoje pelo máster do Corinthians.

O cenário muda mais quando se considera a entrega de ativações. O discurso hoje de Corinthians e Neo Química, para o patrocínio na camisa, é de foco no digital, com ações para os torcedores nas redes sociais do clube. Esse é um cenário completamente diferente.

Em 2010, o clube celebrou a chegada de 1 milhão de seguidores no Facebook, a rede social mais popular da época. No ano seguinte, ainda com a Neo Química como principal parceira, o clube anunciou o alcance desse mesmo número de fãs no Twitter.

Hoje, segundo o último levantamento do Ibope Repucom, o clube tem 25 milhões de seguidores nas redes. Somente em 2019, o Corinthians somou mais de 2 milhões de novos torcedores em seus principais canais. Além do Facebook e do Twitter, a soma considerada o Instagram, que surgiu em 2010, e o Tik Tok, lançado apenas em 2016. O Youtube, com a TV Corinthians, também entra na conta.

Outra diferença considerável está na própria arena do clube, que apenas sonhava com o estádio em 2010. A Neo Química Arena foi inaugurada em 2014, para a abertura da Copa do Mundo, e colocou nas mãos da agremiação uma das mais modernas estruturas esportivas da América do Sul. Na primeira passagem do grupo farmacêutico, a equipe ainda atuava no Pacaembu, com enormes restrições para ações de relacionamento e de comunicação direta com os torcedores por parte dos patrocinadores.

Há uma consideração para os valores de 2010. Havia na época uma maior audiência em televisão aberta, além do momento único vivido pelo clube. Na celebração de seu centenário, o time contava com nomes midiáticos no elenco, casos de Ronaldo e Roberto Carlos. Ronaldo, por sinal, era embaixador da Hypermarcas na ocasião.

Pouco, no entanto, frente ao mercado aquecido do futebol pela proximidade da Copa do Mundo no Brasil e pela economia do país que chegou a ter alta superior a 7% no PIB em 2010, cenário extremamente distante da forte recessão que vivemos atualmente.

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