Futebol

Futebol Paulista quer ‘bolha’, mas tem taxa de contaminação igual à da saúde

por Redação
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A Federação Paulista de Futebol lançou um comunicado nesta segunda-feira (29) para anunciar a proposta por uma ‘bolha’, um ambiente totalmente controlado, para a continuação do Paulistão 2021. A iniciativa surgiu no mesmo dia em que uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) informou que os torneios da entidade mantêm taxas de contaminação aos jogadores semelhantes aos dos profissionais da saúde.

Desde a piora da situação da pandemia, a entidade tem insistido que os atuais protocolos são suficientes para a manutenção do futebol. A federação chegou a lançar a frase “futebol segundo” em suas redes sociais para promover a continuidade do esporte.

O estudo da USP, por outro lado, mostrou uma realidade completamente diferente. Segundo a instituição, a taxa de contaminação dos atletas da federação foi de 11,7% durante a temporada de 2020, número semelhante aos apresentados pelos profissionais de saúde que atuam na linha de frente no combate ao Covid-19.

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Corinthians jogou em Volta Redonda para o Paulistão não ser paralisado (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)
Corinthians jogou em Volta Redonda para o Paulistão não ser paralisado (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)
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Foram analisados os resultados do teste de RT-PCR de mais de 4 mil jogadores das Taça Paulista, Sub-23, Sub-20 e as três divisões do Campeonato Paulista, além do Campeonato Paulista e Sub-17 do futebol feminino. Ao todo, foram 501 positivos. Entre membros da comissão técnica, foram 161 positivos, ou 7% do total.

Uma das justificativas da Federação Paulista de Futebol para a manutenção das competições foi a comparação com ligas europeias, que permaneceram em atividade mesmo durante a segunda onda do Covid-19 no continente. Mas o número de contaminação entre jogadores no Estado foi consideravelmente mais alto. Na Bundesliga, por exemplo, a taxa de testes positivos foi de apenas 0,6%.

Para convencer o Ministério Público a liberar o futebol, a Federação promete um protocolo mais rígido, com mais testes e a criação de um ambiente controlado. Na prática, os jogadores ficariam isolados em hotéis e centros de treinamento, com deslocamento apenas para os estádios.

Atualmente, apesar das medidas terem se mostrado pouco eficientes, a federação tem até colocado partidas fora do Estado para manter o futebol. Corinthians, Palmeiras, São Bento e Mirassol chegaram a ter um novo e mais longo deslocamento para atuarem no torneio, com partidas disputadas em Volta Redonda, no Rio de Janeiro.

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