Futebol

Futebol feminino luta contra estigma para crescer na base

por Redação
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O terceiro dia do Máquina Talks – Semana do Futebol Feminino teve como principal tema as mudanças estruturais necessárias para que o esporte cresça no país. E, apesar de todos os avanços no desenvolvimento da categoria, houve uma unanimidade: a base, a entrada e o desenvolvimento de novas jogadoras, precisa ser aprimorada. Para os participantes, ainda existe o estigma que afasta as mulheres dos campos.

Proibido até 1983, o futebol feminino sofreu para ganhar popularidade. O grande salto aconteceu apenas nesta década, quando o Profut forçou as equipes a criarem times de mulheres. E, em 2019, a Copa do Mundo feminina impulsionou o interesse do público e das marcas. O estigma e o preconceito, no entanto, fazem parte do dia a dia.

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Head de marketing da Puma, Fabio Kadow comentou as dificuldades enfrentadas para inserir as mulheres na prática do futebol. “Como nós mudamos essa base se desde o começo a sociedade já traz a situação de que uma mulher tem que fazer ballet, e não esporte coletivo. É importante a gente quebrar essas barreiras. Só 15% das mulheres fazem esporte coletivo. Não é nada. E de que maneira a Puma vai quebrar isso? É isso o que nós temos trabalhado”, afirmou.

Dentro da realidade de um clube, o diretor de futebol feminino do Palmeiras, Alberto Simões, lembrou que o processo de desenvolvimento de novos talentos é lento e que, mesmo com as novas estruturas, o resultado não deve aparecer em curto prazo.

“Não estamos estruturados para receber essa modernização e esses investimentos de uma hora para outra. Não tínhamos estruturas para revelar jogadores. Hoje, a estrutura é melhor do que muito time profissional do masculino, mas a base está anos luz atrás para dar algum resultado real. Nós estamos consertando a modalidade durante o percurso”, comentou o executivo.

Por outro lado, a gerente de projetos da Octagon, Giovana Aleixo, mostrou como algumas empresas têm entrado no futebol feminino justamente com a ideia de quebrar estigmas e mostrar como o esporte pode ser acessível a todos, inclusive mulheres. Nesse sentido, a agência esteve por trás de ativações como o Nike FC, no Parque do Ibirapuera, e, mais recentemente, do Bora Jogar, da Clear.

“O ‘Bora Jogar’ pensa exatamente nisso: dar acesso ao futebol feminino para mais pessoas. Tornar mais fácil para que as mulheres joguem bola. São aulas gratuitas dadas pela Marta e pela Emily, para que você se sinta mais próxima a uma jogadora profissional. Investir no futebol não é só investir no profissional. Longe disso. Senão não vamos ter novas meninas para jogar”, contou.

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