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De Fidel a Fernández, Maradona se apoiou na esquerda latino-americana

por Redação
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“Também sou um rebelde”. A frase, dita por Diego Armando Maradona em 2000, foi a justificativa a uma tatuagem com o rosto de seu conterrâneo Ernesto “Che” Guevara. No corpo e nas palavras, o ex-jogador sempre deixou clara sua posição política, ancorada em figuras controversas da América Latina, mas com um lado bem definido, a esquerda.

Curiosamente, Maradona faleceu no dia 25 de novembro, o mesmo dia em que Fidel Castro morreu. Os quatro anos de diferença das duas perdas foram muitos para separar os dois personagens. A relação de amizade, inclusive, gerou mais uma tatuagem no ex-jogador, com a figura do comandante cubano em sua panturrilha.

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Maradona mostrou apoio ao presidente argentino Alberto Fernández (Foto: Casa Rosada)
Maradona mostrou apoio ao presidente argentino Alberto Fernández (Foto: Casa Rosada)
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Outro líder latino-americano polêmico que contou com forte apoio de Maradona foi Hugo Chávez. A relação de admiração foi tamanha que, em 2014, um ano após a morte do presidente venezuelano, o argentino resolveu comentar a Copa do Mundo para uma TV do país. “Assim iria querer o comandante”, afirmou na época. A relação de proximidade com o governo da região permaneceu com Nicolás Maduro.

Na própria Argentina, Maradona também sempre fez questão de explicitar seu posicionamento político. Em outubro deste ano, em apoio à eleição de Alberto Fernández, o ex-jogador chegou a fazer declaração ao Dia da Lealdade Peronista. “Fui, sou e sempre serei peronista”, afirmou, em referência ao movimento criado por Juan Domingo Perón.

A relação com a Ditadura Argentina foi outro fato marcante na vida de Maradona, com uma mudança de posicionamento. Em 1979, após vencer um título pela seleção de seu país, um ainda jovem jogador chegou a agradecer a Jorge Rafael Videla pelo apoio aos atletas; o político foi um dos mais sanguinários ditadores da América Latina no século XX.

Com o tempo de politização, Maradona mudou radicalmente de posição. Videla foi condenado à prisão perpétua em 2010 e faleceu em 2013. “Que não descanse em paz”, chegou a afirmar o ex-jogador.

Em sua autobiografia “Eu sou El Diego”, lançada em 2000, Maradona dedicas palavras ao ditador, com lembrança ao uso político da seleção por parte da ditadura. “Não se pode sujar o nosso triunfo por causa dos militares, nem devem ficar com dúvidas do que penso deles. Caras como o Videla, que fizeram desaparecer 30.000 pessoas não merecem nada. Caras como o Videla fazem com que o nome da Argentina esteja sujo lá fora”.

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