Futebol

Clubes anunciam “Super League” e dizem que vão gerar € 10 bi

por Erich Beting
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Barcelona e Real Madrid estão entre os dois times fundadores da Super League
Divulgação
Barcelona e Real Madrid estão entre os dois times fundadores da Super League
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Doze dos principais clubes de futebol da Europa acabam de anunciar a criação de uma nova competição, restrita a 20 times e com perspectiva de gerar receitas superiores a € 10 bilhões (cerca de R$ 67 bilhões). A Super League, como foi denominada por eles, será comandada por seus clubes fundadores e terá outros convidados.

Os espanhóis Atlético de Madrid, Barcelona e Real Madrid; os italianos Internazionale, Juventus e Milan; e os ingleses Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham são os fundadores. Os 12 times são os mais populares de seus respectivos países, além de estarem entre os 20 de maior receita no futebol mundial. No comunicado divulgado em conjunto no início da noite deste domingo (18), eles afirmaram que preveem ainda que mais três clubes se juntem antes da temporada inaugural, que “pretende começar assim que possível”.

Depois de a Uefa chamar de “proposta cínica” a criação da Super League, os clubes afirmaram que pretendem conversar com a entidade e com a Fifa para “trabalharem juntos em parceria e oferecerem os melhores resultados para a nova Liga e para o futebol como um todo”.

Os fundadores justificam a criação da liga dizendo que “a pandemia global acelerou a instabilidade no modelo econômico do futebol europeu existente”. Segundo eles, “durante vários anos, os clubes fundadores tiveram o objetivo de melhorar a qualidade e a intensidade das competições europeias existentes ao longo de cada temporada e de criar um formato para os melhores clubes e jogadores competirem regularmente”.

O presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, já foi designado o primeiro Presidente da Super League. Segundo ele, a liga permitirá que os clubes mais ricos ajudem os mais pobres.

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“Vamos ajudar o futebol em todos os níveis e levá-lo ao seu devido lugar no mundo. O futebol é o único esporte global no mundo com mais de quatro bilhões de fãs e nossa responsabilidade como grandes clubes é responder aos seus desejos”, afirmou o dirigente.

Os clubes se comprometem a fazer “pagamentos de solidariedade ilimitados que crescerão de acordo com as receitas da liga”. Segundo os times, “esses pagamentos de solidariedade serão substancialmente mais elevados do que os gerados pela Champions League e deverão ser superiores a € 10 bilhões durante o período de compromisso inicial dos clubes”.

Para fazerem parte da Super League, os Clubes Fundadores receberão um montante de € 3,5 bilhões exclusivamente para apoiar seus planos de investimento em infraestrutura e para compensar o impacto da pandemia.

No comunicado, os times afirmam que não concordam com a nova proposta da Uefa para a Champions League e que, por conta disso, decidiram partir para a competição própria.

“A pandemia mostrou que uma visão estratégica e uma abordagem comercial sustentável são necessárias para aumentar o valor e o apoio em benefício de toda a pirâmide do futebol europeu. Nos últimos meses, houve um amplo diálogo com as partes interessadas do futebol sobre o futuro formato das competições europeias. Os Clubes Fundadores acreditam que as soluções propostas após essas negociações não resolvem questões fundamentais, incluindo a necessidade de fornecer jogos de maior qualidade e recursos financeiros adicionais para a pirâmide do futebol em geral”, disseram os times.

A ruptura com a Uefa também está na escolha de um dos dois vice-presidentes da liga. O cargo será de Andrea Agnelli, presidente da Juventus, que era membro do comitê executivo da Uefa.

“Nossos 12 clubes fundadores representam bilhões de fãs em todo o mundo e 99 troféus europeus. Reunimo-nos neste momento crítico, permitindo que a competição europeia se transformasse, colocando o jogo que amamos numa base sustentável para o futuro a longo prazo, aumentando substancialmente a solidariedade e dando aos adeptos e jogadores amadores um fluxo regular de jogos de destaque que irão alimente sua paixão pelo jogo e, ao mesmo tempo, forneça modelos de comportamento envolventes”, afirmou.

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O formato da competição prevê a participação de 20 clubes divididos em dois grupos de 10 equipes, com início no mês de agosto e término em maio, como acontece atualmente na Champions League. Participariam os 15 times fundadores e cinco times que entrariam conforme um mecanismo de qualificação que seria, segundo a Super League, baseado em “resultados da temporada anterior”.

Todos os jogos aconteceriam no meio da semana, sem prejudicar a disputa dos times nas ligas nacionais, que sempre temeram o fim de sua força caso os times debandassem da competição de seus países. Mesmo assim, as três ligas que seriam diretamente atingidas pelo projeto (LaLiga, Premier League e Serie A) já se colocaram oficialmente contra o projeto, ameaçando desfiliar os clubes que disputassem o torneio.

Os 20 clubes serão divididos em dois grupos de dez times cada, jogando em casa e fora, com os três primeiros de cada grupo se classificando automaticamente para as quartas de final. Haverá um play-off entre o quarto e o quinto colocados para definir as posições restantes nas quartas de final. A partir dali os times disputam o mata-mata até a final, que será disputada em um único jogo em local neutro.

A ideia dos 12 fundadores é, assim que possível, criar também a Super League feminina, “ajudando a avançar e desenvolver o futebol feminino”.

“Ao reunir os melhores clubes e jogadores do mundo para jogarem entre si ao longo da temporada, a Super League abrirá um novo capítulo para o futebol europeu, garantindo competição e instalações de classe mundial, e maior apoio financeiro para a pirâmide futebolística mais ampla”, completou Joel Glazer, co-presidente do Manchester United e o segundo vice-presidente da Super League.

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