Futebol

À espera da CBF, clubes “blindam” e evitam o tema da Liga

por Erich Beting
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Depois de incendiarem os bastidores do futebol exigindo maior participação nas decisões tomadas dentro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e anunciando a “criação imediata” de uma liga independente da entidade, os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro adotaram uma estratégia de “blindagem” para a Liga, que virou um assunto proibido neste instante.

Desde a última terça-feira (15), quando entregaram uma carta com as reivindicações para a diretoria da CBF, os clubes adotaram o silêncio a respeito da Liga. O assunto só é tratado publicamente pelos presidentes das 19 agremiações que assinaram o documento e, mesmo assim, todos evitam dar detalhes sobre como viria a ser a instituição e qual o modelo de funcionamento dela.

A Máquina do Esporte entrou em contato com dirigentes de mais de cinco clubes que foram signatários da carta que avisa sobre a criação da Liga. Todos foram unânimes em apontar que apenas presidentes podem falar sobre o tema. Alguns dos questionados, que ocupam a presidência dos clubes, pediram para não falar ainda sobre o assunto.

ESCUTE AQUI O PODCAST DA MÁQUINA DO ESPORTE ESPECIAL SOBRE A CRIAÇÃO DA LIGA

A ideia, assim, é impedir que surja, nesse momento, qualquer ruído a respeito da criação do torneio que faça com que o projeto naufrague, a exemplo do que aconteceu com a Primeira Liga há seis anos. Além do receio de minar a competição com uma implosão da união dos clubes, as agremiações querem esperar um posicionamento definitivo da CBF a respeito do projeto.

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Rodolfo Landim (esq.) e Guilherme Bellintani (dir.), presidentes do Flamengo e do Bahia, foram à CBF protocolar pedido de criação de liga
Divulgação
Rodolfo Landim (esq.) e Guilherme Bellintani (dir.), presidentes do Flamengo e do Bahia, foram à CBF protocolar pedido de criação de liga
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A entidade afirmou, em nota, ainda na terça-feira (15), que havia recebido a solicitação dos clubes e que daria “encaminhamento interno” para debater as propostas. Segundo apurou a Máquina do Esporte, a ideia dentro da CBF é, primeiro, definir a situação do presidente afastado Rogério Caboclo. No dia 6 de julho vence o prazo de 30 dias do afastamento do dirigente, acusado de assédio moral e sexual. O departamento de governança da entidade tem apurado o caso, e a tendência é que Caboclo seja definitivamente afastado.

Depois que isso acontecer, a CBF vai, enfim, avaliar o desejo dos clubes de mudar o estatuto para terem mais poder de voto e, ainda, dar chancela ou não à Liga, que pretende ter os 40 times das Séries A e B e organizar por conta própria as duas competições.

Para que a Liga saia do papel, além da chancela da CBF, os clubes precisarão definir como o órgão vai funcionar. Por se tratar de uma entidade comercial, será preciso definir uma sede, os fundadores e os executivos da Liga para que ela possa entrar em funcionamento. Até lá, a articulação nos bastidores seguirá firme para tentar manter uma união que, pré-pandemia, parecia pouco provável.

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