A história é cada vez mais recorrente no futebol brasileiro. Uma empresa se apresenta, faz uma oferta para comprar uma propriedade de patrocínio, promete um valor acima do que o mercado está disposto a pagar e fecha negócio. Ao não cumprir o prazo do primeiro pagamento, o caso vai para a Justiça.

O caso da vez envolve a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a empresa All Invest Consultoria Financeira, que em fevereiro assinaram um acordo para a venda dos naming rights da Copa Verde por R$ 4 milhões ao ano até 2021. Segundo revelado pela "Folha de São Paulo", já em março a primeira parcela de pagamento do acordo, de R$ 2 milhões, não foi honrada. A CBF, então, cancelou o negócio e processa a empresa em R$ 7 milhões.

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O contrato previa a cessão de sete placas de campo para a empresa e ainda a inserção da marca no uniforme dos mascotes dos times, no totem em que fica a bola antes do jogo, na placa de foto oficial e no pódio. Tudo isso a partir das semifinais. A CBF também usaria suas redes sociais para falar da Copa Verde All Invest.

Cuiabá é o atual campeão da Copa Verde (Foto: Reprodução)

O problema é que a entidade não deve ver a cor desse dinheiro. Empresa que promete vender serviços de consultoria para empresas com dificuldades financeiras, a All Invest tem sido investigada por suspeita de pirâmide financeira. A companhia prometia lucros sobre investimentos maiores do que os de mercado a alguns investidores, recebia dinheiro assim e, após pagar uma verba grande no primeiro mês, retinha o restante do dinheiro e deixava de contatar as pessoas. É o mesmo caso que envolveu a Telex Free, empresa que patrocinou o Botafogo em 2014.

Em seu site, a All Invest promete quitar todas as dívidas com credores até esta quarta-feira (27) e diz que, após encerrar todas as dívidas, cessará as atividades. Desde julho, a All Invest tem sido investigada por suspeita de pirâmide financeira. Naquela época, a empresa já havia se comprometido com o Ministério Público a, em 20 dias úteis, quitar todos os compromissos com credores, com valores que chegavam a cerca de R$ 30 milhões, de acordo com a polícia goiana.

Além da CBF, a empresa também deu calote no Goiás, que chegou a anunciar em fevereiro um acordo com a All Invest para as mangas do uniforme, mas em pouco tempo deixou de exibir a marca. O clube, porém, não processou a empresa.

Só para se ter uma ideia, o valor de R$ 4 milhões na Copa Verde é cerca de um terço do que paga o Assaí pelos naming rights da Série A do Campeonato Brasileiro e praticamente metade do que a Continental desembolsa para ter o nome da Copa do Brasil.


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