Uma polêmica que já existe há algumas décadas ganhou ainda mais força nos últimos meses com a deflagração de uma série de protestos antirracistas por todo os Estados Unidos em razão da morte do ex-segurança negro George Floyd nas mãos de policiais brancos. Agora, o lado financeiro pode pesar para que o Washington Redskins altere o nome da franquia, uma das mais tradicionais da NFL.

De acordo com um relatório publicado na Adweek, FedEx, Pepsico e Nike, três dos principais patrocinadores da equipe, receberam cartas assinadas por 87 empresas para que rompam os laços com a franquia caso o nome não seja modificado. O termo "redskins", que em português significa "peles vermelhas", é usado como referência aos nativos americanos e considerado uma forma de racismo e discriminação pela cor da pele por líderes de tribos locais.

Foto: Reprodução / Twitter (@RedskinsCR)

"Este é um movimento mais amplo agora que está acontecendo do qual os indígenas fazem parte. Os povos indígenas foram deixados de fora do movimento dos direitos civis no final da década de 1960 em muitos aspectos, porque nossas condições eram muito ruins nas reservas e nossa capacidade de se envolver publicamente era muito limitada por causa disso. Com a mídia social agora, obviamente tudo é diferente", afirmou Carla Fredericks, diretora da First Peoples Worldwide, uma das organizações envolvidas nas cartas, em entrevista à Adweek.

"Agradecemos que a Nike tenha se manifestado em apoio aos protestos. No entanto, a Nike continua a fornecer uniformes e equipamentos para o time de futebol da NFL de Washington, DC. Além disso, produz e vende milhares de camisetas e outros acessórios com o nome e o logotipo racistas da equipe. A associação e facilitação do racismo inerente ao nome e ao logotipo são contrárias aos sentimentos expressos pela empresa", diz a carta enviada à maior fabricante de artigos esportivos do mundo, que é responsável pelo fornecimento do vestuário das 32 equipes da NFL.

No mês passado, a prefeita de Washington DC, Muriel Bowser, chegou a afirmar que a mudança de nome "já passou da hora", pois "uma equipe com tantos fãs não deve ter um nome que ofenda tantas pessoas". Em compensação, em uma enquete recente no site Yahoo Sports, 63% das pessoas afirmaram que não acham o nome ofensivo, enquanto outras 30% disseram o contrário. Os 7% restantes se mostraram indecisos ou indiferentes ao termo.

De acordo com o site SportBusiness, nas últimas duas décadas, houve numerosos esforços, tanto em juízo quanto em tribunal, feitos pelos líderes nativos americanos para pressionar Dan Snyder, proprietário da franquia, a mudar o nome e até a mascote. No entanto, Snyder sempre foi muito taxativo ao afirmar que nunca tomará tal atitude. A estratégia de pressionar os patrocinadores e tentar mexer com o lado financeiro da equipe é a nova esperança daqueles que desejam que a palavra "redskins" fique apenas no passado da NFL.


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