A pandemia do coronavírus levou o futebol a viver uma situação inédita em sua história. Por mais de três meses, os clubes ficaram inativos. E a pausa forçada dentro de campo levou a uma transformação fora dele. A aceleração digital do esporte se tornou realidade e, com isso, o futebol começa a chegar a uma nova era, especialmente em relação à venda de direitos de mídia.

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Essa foi uma das principais temáticas abordadas no primeiro dia do World Football Summit Live Powered by Ronaldo. De Javier Tebas, presidente da LaLiga, a Sir Martin Sorrell, um dos maiores especialistas em marketing do mundo, a transformação digital do futebol e seus reflexos foram abordados pelos painelistas.

"O Covid-19 acelera a transformação digital. E acelera o que é bom e ruim nela. Se você está gerindo um clube, deve estar mais atento. Minha opinião é um pouco dura, mas acho que há muitos clubes de futebol atualmente", disse Sorrell.

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Para Luis Vicente, CEO da plataforma de streaming Eleven Sports, a pandemia leva o futebol a ter que olhar para a inserção do digital como modelo de negócio.

"As companhias buscam por dados. É preciso ver se o futebol está preparado para sair de um modelo de receita garantida para um de participação na receita".

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Essa realidade defendida por Vicente parece ainda distante das grandes ligas. Javier Tebas, presidente da LaLiga, prevê uma volta em até três anos do futebol ao estágio pré-pandemia. Para isso, a aposta da liga espanhola é em tecnologia.

"Temos que trabalhar em tecnologia e inovação. Usar a experiência dos usuários em OTT e trazer esses dados para promover mais conteúdo e engajamento. Para crescer ou pelo menos manter os valores nas próximas temporadas", defendeu.

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A produção de mais conteúdo digital foi o primeiro passo dado pelos clubes durante a pandemia. E isso mostrou um novo caminho de receita para alguns deles.

"A pandemia permitiu que atingíssemos nossos fãs diretamente. Uma coisa que ficou clara é que nossos fãs são valiosos. E isso é muito, muito importante. Ao contrário de outros setores da nossa economia, nossos fãs são consumidores leais", disse Emilio Butragueño, diretor de relações institucionais do Real Madrid.

Uma solução digital fez o torcedor ajudar o microempreendedor no Orlando City.

"Criamos o March to the Stadium. O torcedor ia virtualmente até o nosso estádio e podia fazer doações aos estabelecimentos nesse caminho. Foi uma forma de usar o digital para gerar recursos à comunidade", disse Alex Leitão, dono do clube americano.


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