A Netflix anunciou, nesta terça-feira (30), que fará uma série sobre a história de Colin Kaepernick, ex-quarterback do San Francisco 49ers, da NFL, que ficou conhecido em 2016 por protestar contra a brutalidade policial e as injustiças raciais ao começar a se ajoelhar durante a execução do hino nacional americano nos jogos da liga.

Batizada de "Colin in Black and White" ("Colin em Preto e Branco", em tradução livre), a série terá seis episódios e está sendo produzida em parceria com o próprio Kaepernick e a cineasta negra Ava DuVernay. De acordo com a plataforma de streaming, a série falará sobre a educação recebida pelo jogador e as experiências que o levaram a se tornar um ativista líder contra a brutalidade policial e a injustiça racial. Um ator interpretará Kaepernick em seus anos de formação, enquanto o próprio atleta aparecerá como narrador.

"Muitas vezes vemos a raça e as histórias negras retratadas através de uma lente branca. Buscamos dar uma nova perspectiva às diferentes realidades que os negros enfrentam. Exploramos os conflitos raciais que enfrentei como homem adotivo em uma comunidade branca, durante meus anos de ensino médio. É uma honra dar vida a essas histórias em colaboração com Ava para o mundo todo assistir", declarou Kaepernick, em comunicado oficial à imprensa.

Foto: Reprodução

Em 2016, o quarterback foi pivô de uma enorme polêmica na NFL e na sociedade americana como um todo. À época, ele recebeu apoio por um lado e muitas críticas por outro pelo fato de se ajoelhar em protesto. Coincidência ou não, desde 2017 o jogador não conseguiu mais uma franquia para atuar e chegou até a entrar com um processo contra a NFL alegando uma espécie de conluio para mantê-lo afastado dos gramados.

Em 2018, a Nike decidiu celebrar os 30 anos do slogan Just Do It anunciando o atleta como embaixador da marca e demonstrando todo o apoio à causa defendida por Kaepernick. Quanto à NFL, só agora, em 2020, a liga veio a público para apoiar o jogador e incentivar as equipes a contratarem-no. A mudança ocorreu após a sociedade americana se mobilizar fortemente na sequência da morte do ex-segurança negro George Floyd, inclusive boa parte do universo esportivo.

"Se seus esforços não estão em campo, mas continuam a trabalhar neste espaço (de justiça social), damos as boas-vindas a ele para nos ajudar, nos guiar e nos ajudar a tomar melhores decisões sobre os tipos de coisas que precisam ser feitas nas comunidades", declarou Roger Goodell, comissário da NFL.

No início deste mês, Goodell divulgou publicamente um vídeo incentivando os jogadores a protestar pacificamente e reconhecendo os erros anteriores da liga nessa área. A ação foi seguida por uma promessa da NFL de contribuir com US$ 250 milhões em dez anos para "combater o racismo sistêmico". A série da Netflix ainda não tem data para estrear.


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