Mo Farah, com as filhas gêmeas Aisha e Amani

As medidas anti-imigração tomadas pelo presidente Donald Trump atingiram diversos setores da sociedade norte-americana. O esporte não ficou de fora.

“No dia 1º de janeiro deste ano, sua majestade, a rainha me fez um cavaleiro da realeza. Em  27 de janeiro, o presidente Donald Trump parece ter me tornado um alienígena. Sou um cidadão britânico que viveu nos EUA nos últimos seis anos, trabalhando duro, contribuindo para a sociedade, pagando meus impostos e educando nossos quatro filhos no lugar que eles agora chamam de lar. Agora, eu e muitos outros como eu estamos sendo informados de que não seremos bem-vindos”, lamentou Mo Farah, bicampeão olímpico dos 5.000 m e 10.000 m.

O corredor foi informado que a lei só se aplica a quem vier dos sete países da lista negra: Irã, Iraque, Líbia, Síria, Somália, Sudão e Iêmen. O caso de Farah, porém, não é único no mundo do esporte.

Na NBA, dois jogadores, Thon Maker e Luol Deng, têm origem sudanesa, embora tenham nascido no que é hoje o Sudão do Sul e tenham deixado o país ainda crianças para escapar da guerra.

 

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A medida isolacionista também pode prejudicar as pretensões norte-americanas de sediar os Jogos Olímpicos em 2024 e a Copa do Mundo de 2026. Los Angeles disputa a eleição do COI (Comitê Olímpico Internacional) com Paris e Budapeste. A decisão será em setembro, no Peru.

Bandeira com logo da candidatura de Los Angeles 2024

Membro da Comissão de Cultura e Legado do COI, David Wallechinsky admitiu que a medida é “um golpe para a candidatura de Los Angeles. Não fatal, mas um golpe.” O norte-americano comentou aos colegas que três quartos dos eleitores da Califórnia não votaram no atual presidente e que Los Angeles é uma “zona multicultural livre de Trump”.

 Já as pretensões de organizar um Mundial da Fifa ficaram mais distantes. A ideia dos EUA seria lançar uma candidatura conjunta com o México, em cuja fronteira Trump pretende construir um grande muro.

“Ninguém vai nos dissuadir de lançar a candidatura. As percepções internacionais sobre Trump não têm importância”, afirmou Sunil Gulati, presidente da federação de futebol dos EUA. Antes da eleição, o dirigente tinha dito que a candidatura seria prejudicada se Hillary Clinton não ganhasse as eleições.

 

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Pior para o levantamento de peso, que tem Mundial marcado para Anaheim, na Califórnia, em novembro. “Sinceramente, esperamos dar as boas-vindas a esses sete países. Não dá para imaginar ser anfitrião de um verdadeiro Mundial sem a participação deles”, lamentou Phil Andrews, presidente da federação dos EUA da modalidade.


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