Na semana de retorno da NBA às atividades, elencamos algumas lições que o documentário "The Last Dance" traz para o mercado esportivo e para o próprio basquete. Quem já acompanhou os dez episódios da série sobre a carreira de Michael Jordan notou que o ex-jogador é uma espécie de "divisor de águas" para a liga americana de basquete.

A construção de um mito em torno da imagem de Jordan foi o que fez globalizar a imagem da NBA e do próprio basquete. O fenômeno de marketing que foi o camisa 23 do Chicago Bulls fez a própria liga americana reinventar o seu negócio e se transformar em uma potência global.

Mas como isso foi possível?

A primeira lição que "The Last Dance" mostra ao esporte é a importância de ele se enxergar como uma empresa de mídia. Todos os passos de Jordan eram filmados, catalogados e arquivados. A NBA entendia que tinha, no jogador, uma mina de ouro a ser explorada.


Números mostram a importância de Michael Jordan para a NBA (Arte: Máquina do Esporte)

Tanto que o documentário lançado em 2020 foi baseado a partir de um arquivo com imagens de toda a temporada de 1998 do Chicago Bulls. Como se sabia previamente que aquele ano provavelmente marcaria a última competição disputada por aquele time histórico, a NBA anteviu a possibilidade de fazer daquele ano um retrato histórico da liga e obteve permissão para que toda a temporada do Bulls fosse documentada.

Além disso, é impressionante como o documentário resgata, com imagens em vídeo, todas as referências históricas dos momentos citados pelos entrevistados. Até mesmo um vídeo do técnico Phill Jackson atuando na universidade nos anos 1960 é mostrado dentro de "The Last Dance".

A série também levanta um questionamento de como o jogo de basquete foi alterado por conta de Jordan. Ao ver o documentário, será que é possível dizer que o basquete pode ser o mais individual dos esportes coletivos?

Grande astro do Bulls, o camisa 23 é quase sempre quem decide. A obstinação, a vontade de ganhar e a dedicação nos treinos deixam claro que, se não tivesse alguém como Jordan para carregar os demais jogadores, seria improvável o Bulls ter sido tão vitorioso. Da mesma forma, é difícil imaginar que Jordan teria sido tão vencedor sem seu time junto.

"A individualidade do atleta é envolvida no grupo. Eu joguei com o Stephen Curry e o Klay Thompson. Muitas vezes eles eram individualistas, mas o grupo trabalhava para eles serem individualistas", disse o jogador Leandrinho, em entrevista ao site da Betway Esportes, casa de apostas esportivas on-line.  

Michael Jordan e Scottie Pippen, dupla quase imbatível do Chicago Bulls (Foto: Reprodução)

O jogo de basquete, com certeza, mudou. Times foram criados para tentar parar o Bulls de Jordan. Esquemas de marcação foram desenvolvidos para tentar brecar o talento individual. Hoje, os arremessos de longa distância são bem mais frequentes também por conta disso.

Por fim, a história ao redor de Jordan mostra como o patrocínio é vital para o crescimento do esporte. O sucesso dele fora de quadra é, também, explicado pelo trabalho de promoção de seus feitos por Nike e Gatorade. As duas marcas levavam Jordan para a mídia para aumentar as vendas, e isso ajudou a alavancar a lenda em torno do jogador.

No final das contas, "The Last Dance" conta a história de uma união perfeita entre o sucesso esportivo e a promoção de mídia. São os pilares que sustentam o crescimento do esporte e formam os ídolos que mudam gerações.


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