A CBF descobriu a mina dos ovos de ouro com o jogo nas manhãs de domingo. Enquanto a média de público geral do Campeonato Brasileiro é de 15,2 mil, o “horário família” tem quase o dobro de pessoas: 27 mil. Jogar nessa faixa nobre virou objeto de desejo dos clubes. O São Paulo, dono do atual recorde do torneio, lamentou o fato de não ter sido contemplado para jogar no novo primetime do futebol brasileiro durante o mês de agosto.

Que o horário facilita a vida do torcedor, não há a menor dúvida. Mas não deve ser considerado como um fator isolado para o sucesso. O tíquete médio precisa ser levado mais a sério na equação da popularização do horário, já que os principais públicos vieram acompanhados de promoções generosas por parte dos clubes.

A marginalizada noite de quinta-feira – com apenas nove jogos disputados até agora – tem média superior à registrada aos domingos, o dia típico do esporte, e é a preferida dos torcedores durante a semana: 18,4 mil a 16 mil pessoas. Entradas a R$ 20, certamente, pesariam muito na balança de quem está disposto a enfrentar trânsito e poucas horas de sono no dia seguinte para ver o time do coração em campo.

Não dá para tirar o mérito da escolha do horário, mas analisa-lo fora do contexto é deixar em segundo plano uma discussão importante para o esporte: o torcedor paga caro demais por aquilo que recebe do futebol. Jogo às 11h é bom, mas adequar preço e serviço seria ainda melhor.


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