A Globo puxou mais um pino dos poucos que faltam para implodir os campeonatos estaduais. Na manhã desta quinta-feira (2), a emissora anunciou que rescindiu unilateralmente o contrato para transmitir o Campeonato Carioca. A medida foi tomada após a emissora sentir-se prejudicada pelo fato de o Flamengo ter feito a transmissão própria do jogo contra o Boavista, no dia anterior.

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A decisão é mais um capítulo na disputa que a Globo trava com o Flamengo pelos direitos de transmissão do Carioca, mas que tem um impacto enorme na configuração do calendário de competições do futebol nacional e pode decretar o esvaziamento dos estaduais. O torneio do Rio de Janeiro é o segundo mais valioso do país.

Foto: Reprodução / FERJ

Agora, para 2021, apenas os estaduais de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pernambuco têm contrato válido para direitos de transmissão. O problema, porém, é saber quando haverá essas disputas, já que a ausência de jogos por causa da pandemia do coronavírus levou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a já determinar que as Séries A e B do Campeonato Brasileiro de 2020 irão pelo menos até fevereiro de 2021.

"Com calendário de 2020 invadindo 2021, é o momento de transformarmos os estaduais em competições de acesso para os clubes pequenos e de revelação de atletas para médios e grandes. O Bahia e o Vitória já decidiram que jogarão o Baiano só com jovens que precisam mostrar talento", declarou Guilherme Bellintani, presidente do Bahia, após a Globo ter anunciado o rompimento com o Carioca.

A declaração do dirigente somou-se a outras, dadas por dirigentes de Grêmio e Internacional, sobre a continuidade ou não do Campeonato Gaúcho em 2020. Sem uma definição de quando os torneios retornam, e preocupados com o início do Campeonato Brasileiro previsto para 8 de agosto, os dois times já cogitam não atuar mais.

Arte: Máquina do Esporte

Desde 2018, a Globo vem reduzindo os investimentos nos estaduais. A emissora entende que os jogos não são tão atrativos quanto as competições nacionais e, também, exigem o desembolso de bastante dinheiro para ter todos os direitos. Há alguns anos, Fernando Manuel, executivo que lidera a negociação de direitos esportivos do futebol na empresa, defende publicamente uma racionalização do calendário nacional, dando maior protagonismo ao Campeonato Brasileiro.

Nesse cenário, só o Paulistão, que recebe R$ 180 milhões em direitos de TV, parece ter vida assegurada para 2021. A pandemia e a Medida Provisória 984, que muda o cenário da venda de direitos de mídia, podem ter praticamente decretado o fim dos estaduais no país.


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